#Brasil: PF faz buscas em imóveis do ministro Blairo Maggi e em gabinete de deputado

Postado em set 14 2017 - 9:12am por Jornal da Chapada
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Em depoimento de seu acordo de delação premiada, o ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) acusou Blairo Maggi de participar de esquema de corrupção no estado | FOTO: Reprodução |

O ministro da Agricultura do governo de Michel Temer (PMDB), que tem 10 ministros investigados no Supremo, Blairo Maggi, teve um mandado de busca cumprido pela Polícia Federal (PF) na manhã desta quinta-feira (14) em um apartamento de sua propriedade em Brasília. Policiais federais também fizeram diligências nesta manhã em São Paulo e no Mato Grosso. A PF faz buscas e apreensões em 64 endereços, incluindo imóveis ligados ao ministro e o gabinete do deputado federal Ezequiel Fonseca (PP-MT) na Câmara dos Deputados. Os mandados são parte da Operação Malebolge (que corresponde à 12ª fase da Ararath) e são cumpridos a pedido do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PF chegou à residência do ministro, em Brasília, por volta de 7h e alguns policiais deixaram o local pouco depois das 9h. No gabinete do deputado, as buscas começaram de manhã cedo, segundo seu chefe de gabinete, e terminaram pouco antes de 11h. De acordo com a PGR, a operação tem caráter sigiloso nenhum detalhamento será apresentado enquanto a operação estiver acontecendo.

O STF informou que o caso está nas mãos do ministro Luiz Fux e que, como o caso corre sob sigilo, nada será comentado por enquanto. Segundo a PF, participam da ação 270 pessoas, entre policiais federais e membros do Ministério Público Federal (MPF) nos seguintes municípios: Cuiabá, Rondonópolis (MT), Primavera do Leste (MT), Araputanga (MT), Pontes e Lacerda (MT), Tangará da Serra (MT), Juara (MT), Sorriso (MT), Sinop (MT), Brasília (DF) e São Paulo (SP). Maggi e Fonseca ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

Contextualização
Fux autorizou no final de agosto abertura de inquérito para investigar denúncias deitas pelo ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa em acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Ele afirma que, durante seu governo, era rotineiro o pagamento de propina a parlamentares para evitar que membros do alto escalão do estado fossem investigados em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs). A mando do ex-governador, seu então chefe de gabinete, Silvio Cesar Correa, gravou vídeos em 2013 que registravam o pagamento a deputados estaduais. Cada parlamentar teria recebido R$ 600 mil, 12 em parcelas mensais.

Entre os políticos que aparecem no vídeo estão o atual prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, o atualmente deputado federal Ezequiel Fonseca, o ex-deputado estadual Alexandre Cesar (PT) e a atual prefeita de Juara (MT), Luciane Bezerra. Silval também relatou ter pago R$ 200 mil a três deputados estaduais para que votassem pela aprovação das contas de seu governo.

Os deputados teriam continuado pedindo propina mesmo após a prisão do ex-governador. Rodrigo Barbosa, filho do ex-governador, gravou reuniões com o deputado estadual Jeferson Wagner Ramos (PSD). No acerto, o parlamentar receberia R$ 7 milhões que seriam divididos entre os membros da CPI das obras da Copa do Mundo, para isentar Silval na investigação. Esse pagamento não foi realizado.

Mais informações
Em depoimento de seu acordo de delação premiada, o ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (PMDB) acusou Blairo Maggi de participar de esquema de corrupção no estado. Ele disse ainda ao Ministério Público Federal (MPF) que o senador Cidinho Santos (PR-MT) prometeu ajuda de Maggi, do atual governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PSDB), e do senador Wellington Fagundes (PR-MT) para que ele não fizesse delação premiada. O acordo acabou sendo feito e foi homologado pela Justiça.

Na delação, Silval Barbosa contou à Procuradoria Geral da República (PGR) como funcionava o esquema de corrupção no governo de Mato Grosso. O delator foi vice-governador no segundo mandato de Blairo, de 2007 a 2010. A partir daí assumiu o governo mato-grossense, quando Blairo foi concorrer ao Senado. No mesmo ano, o delator foi reeleito.

Barbosa foi preso exatamente há dois anos, acusado de recebimento de propina na distribuição de incentivos fiscais. Ele permaneceu quase dois anos na cadeia, mas foi autorizado a ficar regime domiciliar em junho deste ano. Blairo Maggi é investigado na Operação Lava Jato por suposto recebimento de R$12 milhões em sua campanha à reeleição, em 2006, com base em relatos de delatores da construtora Odebrecht. Com informações da Agência Brasil e do O Globo. Texto alterado às 11h50 para complementação.

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