[Artigo]: Psicoterapia, mudança de paradigma e conhecimento pessoal

Postado em jun 4 2018 - 5:33pm por Jornal da Chapada

O desejo de fazer e o fato de não conseguir gera um conflito interno, uma confusão que produz crises, sentimento de culpa, autodesprezo, autopunição, que muitas vezes causa doenças | FOTO: Divulgação |

Por Laura Alícia Côrtes*

“É coisa para doido”, “O que vão pensar de mim?”, “Tenho medo de descobrir que realmente sou ‘maluca de carteirinha’”, “É caro, é só para rico”, “É frescura, futilidade”, “Tenho vergonha de contar sobre mim, minha história, meus pensamentos e desejos”, “Não preciso de ninguém”, “Quem manda na minha vida sou eu”, “Não acredito em terapia, eu já fiz antes e nada adiantou”, “Eu não vou mudar nem quero, ‘nasci assim, cresci assim, vou ser sempre assim’”.

Muitas são as crenças que permeiam o imaginário das pessoas em relação à psicoterapia. Todas elas são ilusórias e falsas, pois não revelam todos os aspectos escondidos que resistem ao real desejo de fazer terapia. Essa parte superficial revelada como preconceito, medo, arrogância, vergonha ou ignorância é um sinal, um sintoma, é a ponta do iceberg, que representa um indicativo de que é preciso investigar e ir mais a fundo para descobrir as partes encobertas na profundidade, que estão impedindo o barco da vida fluir com tranquilidade, sem resistência.

Mas não nos damos conta do que está acontecendo nas profundezas do nosso inconsciente, e ele, muitas vezes, está no controle de nossas vidas sem sabermos, gerando confusão, conflitos e nos conduzindo por caminhos que, conscientemente, não desejamos estar. Afinal, quem nunca passou uma situação de desejar algo com muita força e vontade e o que aconteceu foi o extremo oposto. Não entendemos porque isso ocorre e rotulamos de autossabotagem. Como se nomear desse conta de resolver a problemática.

O desejo de fazer e o fato de não conseguir gera um conflito interno, uma confusão que produz crises, sentimento de culpa, autodesprezo, autopunição, que muitas vezes causa doenças. Enquanto não achamos a verdade, a síntese dos vários aspectos que envolvem uma problemática, estaremos na ilusão, no erro e na ignorância, que são responsáveis pela dor e sofrimento humano.

Mas, ao contrário do que comumente pensamos, o sofrimento e os problemas nada mais são do que uma oportunidade de crescimento, que nos conduz a ver a vida a partir de outra perspectiva. Tal como um alarme que, quando acionado, indica uma invasão à propriedade e que é preciso tomar uma providência quanto a isso; a dor em nossa vida funciona com o mesmo objetivo, alertar que há algo em desequilíbrio e que é preciso ter consciência e mudar de atitude.

Um sintoma é a ponta do iceberg, que representa um indicativo de que é preciso investigar e ir mais a fundo para descobrir as partes encobertas na profundidade, que estão impedindo o barco da vida fluir com tranquilidade, sem resistência | FOTO: Divulgação |

Mudança de paradigma
Da mesma forma, diante de uma situação em que somos convocados a reagir de um modo diferente a que estamos acostumados e não temos tal atitude, sem dúvida adoecemos. Segundo o físico e escritor austríaco Fritjof Capra, em Ponto de Mutação, o colapso do velho paradigma, que entra em crise e sucumbe, é necessário para dar lugar ao novo paradigma.

Normalmente, vivemos num estado totalmente apático, de entorpecimento, mergulhados na ‘matrix’ do sistema, numa vida repetitiva, no automático, num ciclo vicioso, sem reflexão, inundados na confusão das crenças, da ilusão e da ignorância. A mudança desperta em nós o medo de abandonar o velho que, mesmo saturado, representa segurança por ser conhecido.

Muitas vezes é preciso chegar ao fundo do poço, na crise total, ao ponto crítico, como define Capra, para despertarmos e tomarmos a decisão para a transformação. E é principalmente neste momento de dor, de maior vulnerabilidade e de resistência à mudança que é preciso estar no seu eixo e olhar para esse acontecimento de forma mais profunda. E analisar quais as crenças, preconceitos, medos, vergonhas, orgulho envolvidos, que te impedem de dar um próximo passo em busca da mudança, de superar a resistência e iniciar a terapia, por exemplo. Reflita sobre isso!

A psicoterapia tem o objetivo de ampliar a consciência do indivíduo | FOTO: Divulgação |

Psicoterapia
O trabalho da psicoterapia convida o indivíduo a olhar para suas sombras, pois elas também fazem parte de seu ser. E a integrar estes defeitos a sua outra parte oposta a eles, que é consciência e luz. Este é um passo necessário para aqueles que desejam trilhar o caminho do autoconhecimento e desenvolvimento. Lembrar que você não se resume unicamente a um aspecto seu, mas que você é um ser integral, a soma de várias partes tanto positivas quanto negativas. Esta é nossa humanidade.

Aceitar as falhas, mas sem ser conivente e nem vítima, apenas tomar consciência para reconhecer seu efeito sobre sua vida, para poder compreender as reais motivações que as geram e redirecionar positivamente o fluxo de energia de vida – que na maioria das vezes está represado ou encouraçado em situações negativas, e tornar sua existência cheia de felicidade, paz, harmonia, prazer e realização.

A psicoterapia tem o objetivo de ampliar a consciência do indivíduo, facilitar a comunicação nas suas relações, desenvolver o senso de autorresponsabilidade, e promover o encontro do indivíduo com seu verdadeiro eu – que Jung chamou de Self. Representa também a possibilidade de sair da teia, do emaranhado de padrões repetitivos, muitas vezes herdados pela família.

Para isto, é preciso coragem, humildade e compromisso com sua vida. O caminho do autoconhecimento é de responsabilidade de cada um, mas isso não se faz sozinho. Afinal, o ser humano é um ser relacional, precisa do outro a todo tempo, para se revelar e desenvolver seu processo individual de crescimento. E este é um empreendimento extremamente estimulante, importante e significativo. Para esta jornada, você precisará de uma ajuda qualificada, sensível e atenta, que te guiará no seu desenvolvimento de competências, para que você mesmo possa trilhar seu caminho.

capa

*Eu sou Laura Côrtes, itaberabense, psicóloga, especialista em Saúde Mental, terapeuta transpessoal, terapeuta familiar sistêmica, terapeuta de floral, redutora de danos, estudante do Programa Pathwork de Transformação Pessoal. Atendo adolescente, adulto, casal, família, realizo atendimento domiciliar, acompanhamento terapêutico. Este artigo é o primeiro de uma série que visa tratar sobre saúde mental através do autoconhecimento.

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