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#Brasil: Coordenador de comitê paulista acusa ministro da Saúde de favorecer “plano sórdido para desmoralizar vacinas”

Estados não devem seguir orientação de suspender imunização de adolescentes sem comorbidades; Alexandre Padilha avalia que situação expõe novamente a falta de planejamento do governo Bolsonaro.

O coordenador do Comitê Científico de Combate ao Coronavírus do Governo de São Paulo e ex-secretário do Ministério da Saúde, João Gabbardo, reagiu à decisão do Ministério da Saúde de suspender a vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades. Em coletiva de imprensa, o ministro Marcelo Queiroga falou em um suposto óbito que não tem relação com a vacina ainda comprovada.

Em entrevista à âncora Daniela Lima, da CNN Brasil, Gabbardo disse que ficou “chocado” com a coletiva de Queiroga. Segundo a jornalista, o médico disse que a postura do ministro serve a um “plano sórdido para desmoralizar as vacinas”.

Para Gabbardo, secretário-executivo do Ministério da Saúde durante a gestão de Henrique Mandetta, Queiroga tomou a decisão porque se deu conta que não teria doses da Pfizer suficientes para tudo o que vinha planejando. O governo pretendia usar o imunizante para cobrir os atrasos das AstraZeneca, aplicar terceira dose em pessoas com comorbidades e vacinar adolescentes.

A justificativa oficial, no entanto, foi sobre uma suposta morte que não teve nexo causal comprovado com a imunização e a não-permissão da Anvisa para aplicação de outros imunizantes em adolescentes.

Em entrevista a O Antagonista, Gabbardo garantiu que São Paulo não irá acatar a orientação do ministério. “Absurdo total. Estão batendo cabeça. São Paulo não vai acatar. Eles se deram conta que não teria Pfizer pra tudo que estavam planejando”, disse. Outros secretário de saúde devem seguir no mesmo caminho.

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), ex-ministro da Saúde, disse à Fórum que o governo Bolsonaro já deveria ter se programado para esse momento de concomitância entre terceira dose e vacinação de adolescentes. “Desde o começo deveriam estar preparados para as doses de reforço”, afirmou.

“O que está acontecendo é que só tem uma vacina autorizada no Brasil porque o governo se recusou a analisar a CoronaVac. Só tem a vacina da Pfizer, que é a ideal para quem tomou duas doses e CoronaVac ou AstraZeneca para pode intercalar imunizantes. O que o Ministério vai fazer é parar a vacinação de adolescentes para pegar essas vacinas e imunizar idosos. Ou seja, ele bloqueia a possibilidade de usar CoronaVac sem vacinas, deixando parcela da população vulnerável, para correr atrás da falta de planejamento”, completou.

Carlos Lula, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), também criticou o Ministério da Saúde. “A medida é absurda. Eu não entendo um ministro da Saúde não querer comemorar algo positivo. A confusão está no Brasil inteiro. O Ministério da Saúde está colocando na lata de lixo sua postura de comandante do PNI”, disse. As informações são da Revista Fórum.

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