A menos de um mês da eleição, a distribuição do fundo eleitoral do Partido Liberal (PL) na Bahia, até aqui, mostra uma concentração quase total em candidatos a deputado próximos do postulante João Roma (PL). Foram mais de R$3,5 milhões concentrados e irrigando as campanhas de apenas seis políticos que disputam vagas na Câmara Federal e mais de R$200 mil em um candidato a estadual. A prioridade da legenda em abastecer a campanha de poucos candidatos tem criado revolta em pessoas que se filiaram ao partido com a promessa de ter acesso ao fundo partidário e, com isso, ter condições de concorrer ao pleito.
O campeão em receber recursos do fundão é o candidato a deputado federal e ex-cantor, Netinho, que recebeu o montante de R$532 mil. Os candidatos João Carlos Bacelar, André Porciuncula, Alexandre Aleluia, Capitão Alden e Roberta Roma receberam, cada um, R$500 mil e o estadual Vitor Azevedo recebeu o montante de R$200 mil. “É um absurdo essa situação! Acredito que o fundo eleitoral é para ser repartido em igualdade para todos. Estamos tentando resolver essa situação junto ao partido e, caso não tenha uma resposta, vamos ingressar com uma ação, utilizando o princípio da isonomia, já que o recurso é público e está beneficiando poucos”, disse um dos candidatos a federal.
O levantamento foi feito por meio do site Divulgacand do TSE (Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais – tse.jus.br) e considera os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral até 8 de setembro. O partido tem aproximadamente 35 candidatos a deputado federal e a maioria não tiveram condições até agora de iniciar a campanha por falta de recursos.
Para os demais candidatos do partido, o PL está adotando uma postura antiética e oferecendo privilégios a poucos. “De acordo com os dados coletados das eleições de 2022, fica evidente que os recursos se mostram concentrados nas mãos de parentes, amigos e escolhidos de Roma, numa demonstração clara que o interesse do candidato a governador é pessoal. Indo de encontro com o que prega com demagogia na propaganda eleitoral”, ressaltou o candidato a federal, que preferiu o anonimato.
Com menos de 20 dias de campanha pela frente, a maioria dos candidatos ainda está sem dinheiro do fundão para investir em publicidade, material de divulgação e outros gastos, o que representa uma desvantagem em relação a quem já recebeu. O TSE estabelece regras para disciplinar a distribuição de recursos, como mínimo de 30% para candidaturas de mulheres, além de valores proporcionais ao número de negros e brancos numa chapa. “Sou negro e não recebi um centavo do partido e acredito que são poucos os negros candidatos”, finalizou. Com informações de assessoria.

