A possibilidade de atraso no pagamento dos salários dos servidores públicos de Nordestina, na região sisaleira da Bahia, tem gerado apreensão entre moradores e trabalhadores do município. A preocupação surgiu após a divulgação, em sites da região, de que a Prefeitura poderia enfrentar dificuldades para honrar salários e contas básicas, como água e energia elétrica, em razão da aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.
Em nota e declarações recentes, a Prefeitura de Nordestina afirmou que o orçamento aprovado pela Câmara de Vereadores, com limite zero para suplementação, estaria “engessando” a administração e dificultando a execução de despesas essenciais. Segundo a gestão, essa situação poderia comprometer compromissos básicos do município.
Apesar do alerta feito pela própria Prefeitura, atos administrativos publicados oficialmente chamaram atenção da população. No dia 14 de janeiro de 2026, a gestão municipal autorizou a contratação, por inexigibilidade de licitação, de um show artístico no valor de R$ 500 mil, meio milhão de reais, para apresentação do cantor Tarcísio do Acordeon no Arraiá do Cajueiro 2026.
O contraste entre o discurso de dificuldade financeira e a autorização de um gasto elevado com evento festivo tem gerado questionamentos e alimentado o temor entre servidores e moradores.
“Quando a gente ouve falar que pode atrasar salário, a primeira coisa que vem à cabeça é como vai ficar a comida dentro de casa”, relatou um servidor municipal, que preferiu não se identificar por receio de represálias. “A gente fica preocupado, porque salário não é luxo, é necessidade.”
Outro morador, também sob condição de anonimato, afirmou que a situação causa indignação. “A Prefeitura diz que não tem dinheiro pra pagar salário, mas tem meio milhão pra show. A conta não fecha”, disse.
Procurada, a Prefeitura de Nordestina reiterou que enfrenta dificuldades na execução do orçamento de 2026 e que a responsabilidade estaria relacionada à forma como a LOA foi aprovada pelo Legislativo. A gestão afirma que busca soluções para garantir o funcionamento dos serviços públicos e o pagamento dos servidores.
Já integrantes da Câmara de Vereadores, ouvidos de forma reservada, sustentam que a responsabilidade pela administração dos recursos é do Executivo e que cabe à Prefeitura definir prioridades, respeitando os limites legais do orçamento aprovado.
Especialistas em gestão pública destacam que salários e despesas essenciais são obrigações permanentes da administração municipal, enquanto gastos com festas e eventos são opcionais e devem ser avaliados com ainda mais critério em momentos de alegada dificuldade financeira.
Diante do cenário, cresce a expectativa para que órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas dos Municípios, acompanhem de perto a execução orçamentária e a priorização dos gastos públicos em Nordestina.
Enquanto isso, servidores e moradores seguem apreensivos, temendo que o discurso de crise financeira se traduza, na prática, em atraso de salários, ao mesmo tempo em que despesas elevadas com eventos continuam sendo autorizadas pela própria gestão municipal. As informações são de assessoria.

