O Furdunço abriu oficialmente o Pré-Carnaval 2026 em Salvador neste sábado (7), no Circuito Orlando Tapajós (Ondina–Barra), após trocar de data com o Fuzuê. A mudança no calendário, no entanto, não alterou uma tradição já consolidada: o encerramento da festa ficou novamente por conta da Baiana System, responsável por arrastar a maior multidão do evento.
Como já é marca registrada do grupo, o Navio Pirata foi o último trio a sair, deixando Ondina por volta das 23h30. Nem o horário avançado foi suficiente para dispersar o público, que acompanhou a banda em peso até o Farol da Barra.
Com a proposta de um “Carnaval de paz” e o resgate da força das fanfarras, a Baiana System voltou a transformar a Avenida Oceânica em um verdadeiro “tapete de gente”. A movimentação em torno do trio começou cedo. Desde as 21h, fãs já circulavam pela região de Ondina, onde o Navio Pirata estava estacionado, aguardando a saída da banda.
À medida que o horário se aproximava, o espaço foi sendo tomado por foliões. Quando o trio iniciou o trajeto, a massa se formou rapidamente. O avanço inicial foi lento, especialmente no trecho antes do Clube Espanhol e do Morro do Gato, onde o aperto dificultou a circulação.
Nesse primeiro momento, o deslocamento mais cadenciado acabou deixando de fora algumas músicas mais populares do repertório. A virada aconteceu no Morro do Gato, após uma breve espera provocada pela quebra de um trio elétrico à frente, da banda Pagod’art. Com o caminho liberado, a Baiana System retomou o ritmo.
Foi nesse trecho que os principais sucessos passaram a dominar o circuito, transformando a avenida em um grande corredor de dança. A festa seguiu até o Farol da Barra, com o público cantando e pulando ao som de músicas como Lucro, Forasteiro e outros hits consagrados.
Presença constante no Furdunço desde que o evento se firmou como espaço de valorização da cultura de rua e dos blocos sem cordas, a Baiana manteve também a tradição de receber convidados no Navio Pirata. Nesta edição, participaram artistas como Luedji Luna, Liniker, Vandal e BNegão, dialogando com a proposta da chamada Máquina de Louco.
Entre os foliões, havia gente de fora da Bahia que fez questão de viver a experiência de perto. A paulista Maria Fernandes, 35 anos, enfrentou a longa espera e o aperto para acompanhar o cortejo. “Eu conheci a Baiana em São Paulo, mas sempre ouvi que a experiência de verdade era aqui. É apertado, eu sou baixinha, mas vale muito a pena. A energia é diferente de tudo”, contou.
Para quem é de Salvador, acompanhar o encerramento do Furdunço com a Baiana System já virou compromisso anual. O soteropolitano João Santana, 28 anos, segue a banda desde 2019. “Pra mim, o Carnaval só começa depois que a Baiana fecha o Furdunço. Hoje ficou até melhor, é sábado. Não dava pra perder”, afirmou.
O público diverso também chamou atenção. Jamile Silva, 43, foi ao evento principalmente por causa da filha adolescente. “Ela acompanha tudo nas redes e insistiu muito pra vir. Mesmo quem não conhece tanto as músicas acaba entrando no clima”, relatou.
Entre atraso, aperto e explosão sonora, a Baiana System repetiu o ritual que se tornou símbolo do Pré-Carnaval de Salvador: fechar o Furdunço com um mar de gente em movimento rumo à Barra e, para muitos, marcar oficialmente o início do Carnaval. Com informações do Jornal O Correio.

