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#Saúde: Vacina nonavalente contra HPV passa a incluir proteção contra tumores de cabeça e pescoço

Vacina amplia proteção para tumores de cabeça e pescoço | FOTO: Marcelo Camargo/ Agência Brasil |

A vacina nonavalente contra o HPV (papilomavírus humano), disponível apenas na rede privada, teve sua bula atualizada e agora passa a prever também a proteção contra o câncer de orofaringe e outros tumores de cabeça e pescoço associados ao vírus. A atualização foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em dezembro.

Até então, o Brasil contava com a vacina quadrivalente contra o HPV, que protege contra os genótipos 6, 11, 16 e 18. Em 2023, foi aprovada no país a vacina nonavalente, que amplia a proteção para os tipos 31, 33, 45, 52 e 58, além dos quatro já contemplados. No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacina disponível para pessoas de 9 a 14 anos é a quadrivalente, indicada em bula para prevenção dos cânceres do colo do útero, vulva, vagina e ânus, além de verrugas genitais e infecções causadas pelo HPV.

Apesar de a bula da quadrivalente não ter sido atualizada, tanto ela quanto a nonavalente protegem contra o HPV 16, responsável pela maioria dos casos de câncer de orofaringe e outros tumores de cabeça e pescoço relacionados ao vírus. Segundo a infectologista Rosana Richtmann, consultora em vacinas dos laboratórios da Dasa, a proteção das duas vacinas contra esse tipo de tumor deve ser muito semelhante.

O oncologista Marcos André Costa, do Hospital Nove de Julho, afirma que cerca de 40% dos tumores de cabeça e pescoço estão associados ao HPV e que os cânceres de orofaringe ligados ao vírus atingem mais frequentemente a população masculina. Para ele, a ampliação da recomendação tem potencial de impactar de forma significativa esse grupo, já que a redução da infecção crônica pelo vírus diminui a exposição prolongada do tecido aos genótipos mais agressivos.

Na rede privada, a vacina nonavalente pode ser aplicada em pessoas de 9 a 45 anos. Os valores informados são de R$ 940 para uma dose, R$ 1.786 para duas doses e R$ 2.679 para três doses. Segundo o Ministério da Saúde, não há pedido para incorporação da nonavalente no SUS.

A nova indicação se baseia em estudos de vida real que demonstraram a importância da vacina na prevenção desses tumores, fundamentada na prevenção da infecção persistente pelos tipos oncogênicos 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58. Um dos estudos que embasaram a atualização foi realizado no Brasil e avaliou mais de 5 mil mulheres e homens de 16 a 25 anos em todas as capitais. Entre as mulheres vacinadas, a prevalência de infecção oral pelo HPV foi de 0,43%, contra 1,65% entre as não vacinadas.

De acordo com especialistas, a indicação ganha relevância porque não existe rastreamento padronizado para o câncer de orofaringe, diferentemente do câncer de colo do útero. Nesse contexto, a vacinação é considerada a principal ferramenta de prevenção disponível.

Os tumores de cabeça e pescoço podem surgir na cavidade oral, faringe, laringe, cavidade nasal, seios paranasais, tireoide e glândulas salivares. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 76% dos casos são diagnosticados em estágio avançado. Entre 2017 e 2020, a taxa de mortalidade no Brasil caiu de 5,69 para 5,12 óbitos por 100 mil habitantes. Entre os homens, o índice passou de 9,20 para 8,21 óbitos por 100 mil, e entre as mulheres, de 2,34 para 2,17 óbitos por 100 mil.

Jornal da Chapada

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