As chuvas recentes intensificaram os impactos das obras de pavimentação na zona rural de Ibicoara, transformando trechos da Estrada das Cachoeiras, conhecida como Estrada do Buracão, em um lamaçal e ampliando as dificuldades de deslocamento. Nesse cenário, a combinação entre o período chuvoso e a fase inicial dos serviços de terraplanagem tem comprometido a mobilidade de moradores e visitantes, que relatam isolamento e riscos constantes no trajeto.
A intervenção, retomada em outubro de 2025 pelo Governo do Estado da Bahia, prevê a pavimentação de 27,4 quilômetros da via que liga a sede municipal à região da Cachoeira do Buracão, um dos principais atrativos da Chapada Diamantina. Executada pela empresa Cosampa, a obra contempla comunidades como Lajedão, Barrinha do Mel, Bocaina, Campo Redondo, Capãozinho e Mundo Novo, mas tem gerado transtornos durante a fase de implantação.
Moradores afirmam que, com a chuva, a estrada ficou ainda mais difícil de trafegar, com registros de veículos atolados e até um caminhão tombado em um dos pontos críticos. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o veículo caído na via. “Era pra melhorar, mas piorou muito. Quando chove, ninguém consegue passar. A gente fica praticamente isolado”, relata um morador da região que preferiu não se identificar.
Além de prejudicar o acesso ao principal roteiro turístico da região, a lama também aumenta de forma significativa o risco de acidentes, favorece a formação de congestionamentos em trechos mais estreitos, dificulta o deslocamento diário entre comunidades vizinhas e compromete o escoamento da produção agrícola, impactando diretamente a rotina de moradores, trabalhadores e visitantes que dependem da estrada para circular com segurança.
Diante desse cenário, moradores cobram ações emergenciais, como a aplicação de cascalho nos trechos mais críticos. “Não é possível que uma obra com orçamento de R$ 25 milhões não consiga sequer minimizar os danos para quem depende dessa estrada todos os dias. Do jeito que está, ficou pior do que antes. Parece que foi feita sem planejamento, ainda mais em uma região onde chove muito e a situação só piora”, critica outro morador também sob anonimato.
Procurada, a Secretaria de Infraestrutura da Bahia informou que a pavimentação dos 27,42 km do acesso à cachoeira está com 40% do cronograma executado e que os trabalhos estão temporariamente suspensos por causa das chuvas, devendo ser retomados quando as condições climáticas melhorarem.
“Estavam sendo realizados serviços de terraplenagem, limpeza da área e implantação de paralelepípedo em alguns trechos. A empresa responsável mantém a via devidamente sinalizada e presta apoio aos motoristas, inclusive com suporte para retirada de veículos que eventualmente fiquem atolados durante a execução dos serviços e também durante as chuvas”, diz trecho da nota. A conclusão da obra segue prevista para maio. Jornal da Chapada com informações do portal Correio.

