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#Brasil: Fim da escala 6×1 é prioridade do governo, afirma Boulos

Deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) | FOTO: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil |

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, reiterou nesta segunda-feira (23) que o fim da escala 6×1 está entre os principais objetivos do governo federal para este ano.

Segundo ele, a proposta defendida em conjunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prevê a adoção do modelo 5×2, garantindo ao trabalhador ao menos dois dias de descanso por semana e limitando a jornada a 40 horas semanais, sem redução salarial.

A declaração foi feita durante participação no programa Alô Alô Brasil, transmitido pela Rádio Nacional, vinculada à Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Na entrevista, Boulos reconheceu a resistência de setores empresariais à mudança, mas afirmou que reações semelhantes ocorreram em momentos históricos como a criação do salário mínimo, do 13º salário e das férias remuneradas. Para ele, avanços trabalhistas não provocaram colapso econômico no passado.

O ministro acrescentou que a aprovação da PEC da Segurança Pública também está entre as prioridades do Planalto. A proposta permitiria a criação de um Ministério da Segurança Pública com atribuições definidas em lei.

Outro ponto abordado foi a regulamentação do trabalho por meio de aplicativos de transporte. Boulos defendeu a fixação de percentuais claros a serem repassados às empresas operadoras, argumentando que os trabalhadores não podem ser prejudicados. Ele criticou o fato de as empresa ficar com 50% do valor das viagens, mesmo atuando apenas na intermediação tecnológica.

A pauta, segundo o ministro, se estende aos entregadores por aplicativo. No fim do ano passado, a pasta anunciou a formação de um grupo de trabalho para elaborar propostas de regulamentação da categoria.

A entrevista foi transmitida ao vivo, em São Paulo, e conduzida pelo jornalista José Luiz Datena.

Hidrovias

Boulos informou ainda que retornaria a Brasília para se reunir com lideranças indígenas do Pará que se posicionam contra o Decreto nº 12.600, publicado em agosto de 2025. A norma inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND).

No fim de semana, integrantes do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) ocuparam o escritório da multinacional Cargill, responsável por operações no Porto de Santarém, no Pará. O grupo pede a revogação do decreto, alegando riscos ao meio ambiente e à soberania alimentar dos povos indígenas.

O ministro afirmou defender que o governo atenda às reivindicações e disse acreditar na possibilidade de avanço nas discussões. Ressaltou, no entanto, que qualquer decisão dependerá de diálogo com outros ministérios envolvidos na elaboração do decreto, publicado antes de sua entrada no governo.

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