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#Vídeo: Drauzio Varella alerta para “pandemia” de transtornos mentais no pós-Covid

Médico fala sobre saúde mental no pós-Covid | FOTO: Divulgação |

O médico e cientista Drauzio Varella afirmou, na última quarta-feira (25), que o mundo enfrenta uma verdadeira “pandemia” de transtornos psiquiátricos e psicológicos após a crise sanitária da Covid-19. A declaração foi dada em entrevista ao Portal M!, durante sua passagem por Salvador, onde ministrou palestra no Palacete Tira-Chapéu.

Ao analisar o cenário atual, o especialista destacou que, mesmo antes da Covid-19, a Organização Mundial da Saúde já apontava tendências preocupantes para o século XXI. Questionado se os transtornos mentais se configuram como um novo desafio global comparável a uma pandemia, ele foi enfático: “Sem dúvida. Sem dúvida nenhuma [são a nova pandemia]. Antes da pandemia, a Organização Mundial da Saúde já calculava que a principal causa de absenteísmo no trabalho no século XXI seria a vida sedentária”.

Durante a entrevista, Drauzio relacionou ainda os impactos do sedentarismo aos danos provocados pelo cigarro. Segundo ele, estimativas indicam que o tabaco poderá causar 800 milhões de mortes no mundo neste século, e que o sedentarismo deve provocar número semelhante de óbitos. “Nunca se imaginou que poderia ser assim, que o sedentarismo seria um agravo tão grande à saúde”, observou.

O médico também demonstrou preocupação com o avanço da medicalização da sociedade, sobretudo no uso de medicamentos psicoativos como solução rápida para dificuldades emocionais e físicas. Ele ressaltou que muitas pessoas recorrem a “um remedinho” para dormir, sem considerar que a ação dessas substâncias no organismo é ampla e variada.

De acordo com Drauzio, toda droga psicoativa pode gerar dependência, além de resistência e tolerância, o que leva ao aumento progressivo das doses para alcançar o mesmo efeito inicial. Ele alertou que, com o tempo, comprimidos antes eficazes podem deixar de surtir o mesmo resultado, exigindo doses maiores, sem que se conheça plenamente o impacto psicológico ou os efeitos sobre áreas como a memória.

O especialista levantou ainda uma preocupação de longo prazo: a possibilidade de aumento de casos de demência após décadas de uso contínuo dessas medicações. “Será que nós vamos ter uma geração com mais casos de demência, por exemplo, depois de 20, 30 anos com essas medicações? Ninguém sabe, a gente não sabe”, ponderou.

Ao encerrar a entrevista, Drauzio reforçou que o autocuidado não deve se limitar ao consumo de vitaminas ou soluções imediatas. Para ele, cuidar da saúde envolve atenção aos sinais do próprio corpo, prática obrigatória de atividade física e moderação na alimentação. Com informações do site Muita informação.

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