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#Chapada: Projeto de alunos de Barra da Estiva cria inseticida à base de mamona e impulsiona práticas agrícolas mais sustentáveis

A alternativa que une ciência e sustentabilidade foi destaque no Encontro Estudantil da Secretaria da Educação | FOTO: Reprodução |

Uma iniciativa desenvolvida por estudantes da Chapada Diamantina vem chamando atenção ao unir ciência, sustentabilidade e fortalecimento da agricultura familiar. Alunos do Colégio Estadual de Tempo Integral Professora Ana Lúcia Aguiar Viana, em Barra da Estiva, criaram um inseticida natural à base de mamona (Ricinus communis) para combater pragas na cultura da alface (Lactuca sativa), oferecendo uma alternativa de baixo custo e menor impacto ambiental para pequenos produtores.

O projeto nasceu a partir da escuta ativa da comunidade rural. “A professora Joseane Morais, que é nossa orientadora, estimulou para que a gente buscasse soluções para problemas enfrentados pela comunidade local. Foi então que fizemos pesquisas e conversamos com moradores da região, que relataram dificuldades no controle de pragas, como formigas e lagartas, nas plantações de alface”, afirma Caíque Santos. A proposta partiu da necessidade real dos agricultores e avançou com base em pesquisa científica e experimentação prática.

Após a formulação do inseticida, os estudantes realizaram testes controlados para avaliar os resultados em campo. “Foram plantados pés de alface, dos quais 50% receberam inseticida e 50% não receberam. Ao final da análise, foi identificada uma melhor qualidade dos pés que receberam o inseticida. Eles apresentaram menor incidência de pragas e melhor desenvolvimento”, garante Amanda Santos. Os dados indicaram não apenas redução significativa das pragas, mas também melhora no crescimento das hortaliças.

Além de reduzir a dependência de defensivos químicos, a iniciativa contribui para práticas agrícolas mais sustentáveis, ampliando as possibilidades de manejo ecológico nas pequenas propriedades. O uso da mamona, planta adaptada ao semiárido e de fácil acesso na região, reforça a viabilidade econômica da proposta e pode representar avanço nas técnicas de controle alternativo de pragas, fortalecendo a produção local e a segurança alimentar.

O projeto foi destaque no Encontro Estudantil da Secretaria da Educação e agora entra em uma nova etapa de expansão e aperfeiçoamento. “O objetivo é buscar novas formas de utilização da mamona na agricultura familiar, contribuindo para práticas mais sustentáveis e de baixo custo. Nesse primeiro momento, foram beneficiados agricultores familiares da comunidade Fazenda Capão do Cipó, que demonstraram interesse na aplicação do inseticida natural”, explica a orientadora Joseane Morais.

Com a iniciativa, a Chapada Diamantina se projeta como polo de inovação estudantil aplicada à realidade do campo, mostrando que soluções transformadoras podem nascer dentro da sala de aula e gerar impacto direto na vida das comunidades rurais.

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