O município de Pindobaçu, na Chapada Diamantina, recebe neste sábado (14) a segunda edição do Festival e Feira Preta de Fumaça, promovido pela Comunidade Quilombola de Fumaça. A programação reúne atividades culturais, debates e iniciativas voltadas ao empreendedorismo negro, com foco no fortalecimento da identidade quilombola e no desenvolvimento do território.
No cenário em que a Bahia é o estado brasileiro com o maior número de comunidades quilombolas certificadas pela Fundação Cultural Palmares, concentrando centenas de territórios oficialmente reconhecidos, iniciativas como o festival surgem como espaços de valorização cultural, articulação comunitária e fortalecimento das lutas por direitos e reconhecimento.
Com o tema ‘Do quilombo ao futuro’, o evento está organizado em três eixos principais: Direitos Quilombolas, Racismo Estrutural e Empreendedorismo Negro. A proposta é promover reflexões sobre os desafios enfrentados pelas comunidades tradicionais, ao mesmo tempo em que incentiva ações voltadas para autonomia econômica, participação da juventude e permanência das famílias no território.
Um dos destaques da programação é a Feira Preta de Fumaça, que reúne empreendedores quilombolas e pequenos negócios da região. O espaço é dedicado à exposição e comercialização de produtos locais, como artesanato, alimentos tradicionais e itens produzidos por moradores da própria comunidade, estimulando a circulação de renda e a valorização da produção quilombola.
A programação cultural também terá papel central no evento, com apresentações de dança afro, que nesta edição aparece como principal linguagem artística. As apresentações reforçam a relação entre cultura, ancestralidade e resistência, destacando as expressões culturais negras como elementos fundamentais de identidade e mobilização social.
De acordo com o produtor executivo do festival, Roberto Saturnino, a segunda edição representa um passo importante para consolidar o evento como iniciativa permanente na comunidade. “A proposta é fortalecer um espaço que une formação política, cultura e geração de renda, criando oportunidades e valorizando a cultura negra e quilombola”, afirma.
Para Raimunda Borges, coordenadora executiva do evento e liderança da comunidade, o festival também busca ampliar a participação dos jovens e fortalecer os laços comunitários. “É um encontro construído pela própria comunidade. Queremos envolver mais jovens, gerar oportunidades dentro do território e fazer com que o festival se torne uma tradição local”, destaca.
A expectativa dos organizadores é ampliar o alcance do evento na região da Chapada Diamantina e consolidar a Feira Preta de Fumaça como um espaço de referência na articulação entre cultura, direitos territoriais e economia negra no interior da Bahia.
O projeto foi contemplado nos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB) e conta com apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, com recursos do Ministério da Cultura – Governo Federal. As informações são de assessoria.

