Integrantes da Brigada Feminina de Piatã participaram do 5º Seminário Internacional sobre Prevenção, Monitoramento e Combate aos Incêndios Florestais da Bahia, realizado no auditório do Instituto Anísio Teixeira, em Salvador. O evento reuniu brigadistas, pesquisadores e especialistas para discutir estratégias de enfrentamento ao fogo e fortalecer as ações de prevenção em diferentes regiões do estado.
Durante o encontro, brigadistas também receberam kits de equipamentos destinados a reforçar a atuação das equipes que trabalham diretamente no combate aos incêndios florestais. Os conjuntos são compostos por apito, fardamento completo com calça, blusa e gandola, além de bota, coturno, facão e cantil, itens considerados essenciais para quem enfrenta longas jornadas em áreas de vegetação densa e terrenos de difícil acesso.
A participação da Brigada Feminina de Piatã reforça a importância das iniciativas comunitárias no combate aos incêndios florestais, que costumam se intensificar na Chapada Diamantina entre os meses de maio e novembro, período marcado pela estiagem e pelo aumento do risco de propagação do fogo em áreas de vegetação nativa.
Uma das representantes da brigada, Simone Souza, destacou que o apoio recebido durante o seminário representa um importante incentivo para fortalecer o trabalho desenvolvido pelas equipes voluntárias que atuam na linha de frente do combate ao fogo.
“Sou de Piatã e estou representando aqui a brigada feminina que temos no município. Receber esses equipamentos é muito importante para o nosso trabalho, porque enfrentamos terrenos difíceis, subimos muitas serras e precisamos estar bem equipadas para atuar com segurança”, afirma.
Debates e troca de experiências
Promovido pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado da Bahia (Sema), o seminário reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir o manejo do fogo e seus impactos ambientais. Um dos destaques da programação foi a palestra da pesquisadora Roxana Ledesma, do Instituto Nacional de Tecnología Agropecuaria (INTA), da Argentina, que apresentou experiências relacionadas à ecologia e ao manejo do fogo no bioma Chaco Seco.
“Na região do Chaco, onde eu vivo, o fogo sempre fez parte da paisagem e da cultura das comunidades. Ele tem um papel ecológico importante nesses ambientes, e muitas espécies já desenvolveram adaptações para conviver com ele”, explicou a pesquisadora.
Encerrando a programação de palestras, o pesquisador Filipe Viegas de Arruda, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), abordou a relação entre incêndios florestais, qualidade do ar e impactos na saúde pública.
O encontro integra as ações do programa Bahia Sem Fogo, criado em 2010 para articular medidas de prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais em todo o estado. A iniciativa reúne diferentes órgãos do governo e parceiros institucionais para fortalecer estratégias de proteção ambiental em áreas consideradas mais vulneráveis ao avanço do fogo.
Jornal da Chapada

