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#Chapada: Operação com guias e brigadistas garante resgate de grupo após noite de tensão na Cachoeira da Fumacinha

Mesmo após a noite de exaustão, o grupo foi retirado da área em segurança | FOTO: Reprodução/ Correio |

Uma história que poderia facilmente ter saído das telas do cinema, como um roteiro de aventura em meio à natureza selvagem, aconteceu de verdade no último domingo (15), na Cachoeira da Fumacinha, na Chapada Diamantina. O que seria apenas mais um passeio turístico se transformou em uma noite de tensão para 18 pessoas, entre visitantes e guias, surpreendidos pela rápida elevação do nível dos rios após uma forte chuva.

Apesar do susto, o grupo não se perdeu. De acordo com o diretor de Turismo, Martins Xavier, todos estavam acompanhados por condutores experientes, mas as condições climáticas impediram o retorno pelo caminho habitual. A decisão dos guias, desde o primeiro momento, foi priorizar a segurança e agir com rapidez diante da mudança do cenário.

O guia Nilvan Novais relatou que os visitantes ainda estavam no principal atrativo da trilha quando perceberam a alteração no comportamento da água. O aumento repentino do volume dos rios levou à orientação imediata de retorno, antes que a situação se agravasse ainda mais.

Durante a descida, um dos trechos mais delicados exigiu a travessia de um rio com o uso de cordas, garantindo que todos conseguissem avançar com segurança até a Cachoeira do Encontro, ponto conhecido entre os guias por servir como área de apoio e acampamento. No entanto, ao chegarem ao local, ficou claro que seguir viagem naquele momento não era uma opção segura.

A trilha para a Cachoeira da Fumacinha é considerada de nível alto/difícil | FOTO: Reprodução/ Guia Viajar melhor |

Estratégia e experiência fizeram a diferença
Com o nível da água ainda em elevação, os guias decidiram abrigar o grupo em uma área elevada, protegida por um paredão de rocha. Enquanto isso, um dos condutores deixou o local em busca de comunicação por rádio para acionar ajuda. A escolha do ponto de abrigo e a decisão de interromper a travessia foram fundamentais para evitar riscos maiores.

A mobilização começou ainda durante a madrugada. Quatro guias iniciaram o deslocamento por volta da 1h, levando mantimentos e agasalhos, e chegaram ao grupo por volta das 4h30. Segundo o guia Dedé Dantas, a noite foi desafiadora, principalmente pelas condições climáticas. “A maior dificuldade foi realmente o frio, porque todos estavam molhados. Mas conseguimos fazer uma fogueira para ajudar a aquecer durante a noite”, relembrou.

Abrigar-se em uma toca de pedra garantiu proteção contra a chuva e segurança contra a subida das águas. A experiência dos guias foi decisiva para manter o grupo em local seguro até que fosse possível traçar uma rota alternativa de saída.

Na manhã seguinte, por volta das 7h, começou a retirada pela chamada “fenda”, um caminho de escape conhecido apenas por condutores da região. A operação contou com o apoio de brigadistas voluntários, da Brigada Municipal Jardel Novais, além das secretarias de Meio Ambiente e Turismo. Durante a subida, considerada exigente, uma turista apresentou exaustão, sendo necessário improvisar uma maca com madeira e gandolas para auxiliá-la no trajeto.

Ao final, todos deixaram a área conscientes e sem ferimentos. O episódio reforça que, embora trilhas na Chapada Diamantina sejam consideradas seguras quando realizadas com acompanhamento especializado, os riscos naturais existem, especialmente em períodos de instabilidade climática. Nesse cenário, o preparo técnico, a leitura do ambiente e a tomada de decisões dos guias foram essenciais para transformar uma situação de risco em uma história de superação e trabalho coletivo bem-sucedido. Jornal da Chapada com informações do portal Correio.

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