Uma experiência que atravessa gerações e resgata memórias afetivas marca o lançamento da cartilha e da exposição ‘Ciranda Cultural em Comunidades Quilombolas da Chapada Diamantina’, que será realizado na próxima segunda-feira (30), na Casa e Memorial Afrânio Peixoto. A iniciativa reúne vivências de mulheres quilombolas e transforma lembranças da infância em instrumento de valorização cultural e fortalecimento identitário.
O projeto é resultado de atividades desenvolvidas em comunidades quilombolas da Chapada Diamantina, como Tejuco, Serra Negra, Corcovado e Remanso, impactando diretamente mais de 200 pessoas. A proposta parte do resgate de brincadeiras tradicionais vividas por mulheres em sua infância, compreendendo essas práticas como expressões de ancestralidade e transmissão de saberes.
Mais do que um registro, a cartilha sistematiza experiências coletivas e propõe a continuidade dessas vivências entre as novas gerações. O material será distribuído em formato físico em escolas, associações e bibliotecas da região, além de contar com versão digital gratuita, ampliando o acesso e a circulação desse patrimônio imaterial.
As autoras Luanna Lima e Fábia Medeiros, que atuam há mais de uma década no Vale do Capão, destacam que o brincar é uma ferramenta potente de educação e pertencimento. Segundo elas, resgatar essas práticas é também reafirmar identidades, fortalecer vínculos comunitários e manter viva a herança cultural das populações quilombolas.
Contemplado pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia, com apoio do Governo do Estado e do Ministério da Cultura, o projeto reforça a importância da preservação da memória como forma de resistência e valorização das comunidades quilombolas da Chapada Diamantina. Ao trazer à tona histórias, gestos e saberes transmitidos ao longo do tempo, a iniciativa contribui para que a ancestralidade permaneça viva e siga inspirando novas gerações.
Jornal da Chapada

