Mesmo enfrentando os efeitos da seca e sob decreto de situação de emergência, o município de Livramento de Nossa Senhora, localizado no sopé da Chapada Diamantina, anunciou a realização de uma extensa programação junina em 2026. Com o tema “O São João da Copa”, os festejos terão início no dia 10 de maio e seguem até 11 de julho, totalizando cerca de 60 dias de celebrações.
A cidade está entre os 82 municípios baianos que enfrentam dificuldades climáticas devido à estiagem, mas ainda assim mantém a tradição de promover grandes eventos juninos. Em 2025, Livramento já havia se destacado ao figurar entre os 15 municípios que mais investiram nesse tipo de festividade.
No ano passado, a gestão municipal, liderada pela prefeita Joanina (PSB), destinou R$ 5.204.200 para a realização de 23 dias de festa. Desse total, R$ 4.694.200 foram recursos próprios do município, enquanto R$ 510 mil vieram do governo estadual. O valor representa um aumento significativo em relação a 2024, quando o investimento foi de R$ 1.799.000 — crescimento de 189%.
Outro ponto que chamou atenção foi a composição da grade artística. Entre as principais atrações de 2025, nenhuma era do gênero tradicional do forró. O maior cachê foi pago ao cantor Leonardo, que recebeu R$ 750 mil, valor acima do teto de R$ 700 mil sugerido pela União dos Municípios da Bahia (UPB). Também se apresentaram artistas como Pablo, Eduardo Costa, Zé Vaqueiro e Tayrone.
Com a ampliação da festa para 61 dias em 2026, a expectativa é de crescimento tanto no número de atrações quanto no volume de recursos investidos. A cidade, que possui cerca de 43 mil habitantes, tinha um PIB per capita de R$ 12.415,24 em 2021, ocupando a 182ª posição entre os 417 municípios do estado, segundo dados do IBGE.
Apesar do cenário de estiagem, a realização dos festejos está respaldada por uma nota técnica firmada entre o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), os Tribunais de Contas e a UPB. O documento autoriza eventos juninos em cidades em situação de emergência, desde que haja equilíbrio financeiro e respeito aos critérios de razoabilidade nos gastos, além da valorização da cultura local.
A iniciativa reforça o papel dos festejos juninos como elemento cultural e econômico no interior, ao mesmo tempo em que levanta debates sobre prioridades administrativas em períodos de crise climática. Jornal da Chapada com informações do A Tarde.

