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#Chapada: Rap em Seabra supera limitações do interior e avança como expressão de resistência e identidade da juventude

Juliano Max e DJ Magoh estão entre os principais nomes de destaque da cena do rap em Seabra | FOTO: Montagem do JC |

Considerado um estilo musical fortemente ligado às periferias urbanas e marcado pela denúncia social, o rap vem ganhando espaço e revelando grandes nomes em Seabra, mas ainda enfrenta dificuldades estruturais e culturais para se consolidar no cenário local. No município, o movimento passou a se fortalecer a partir de 2018, com encontros em praças e batalhas de rima que deram início à cena regional.

As primeiras articulações do rap em Seabra surgiram de forma espontânea, quando jovens das periferias passaram a ocupar espaços públicos para improvisar rimas e transformar experiências do cotidiano em poesia e crítica social. Com o passar dos anos, essas rodas evoluíram para produções autorais, permitindo que artistas locais levassem suas músicas para plataformas digitais.

Entre os nomes que se destacam na cidade estão DJ Magoh, Juliano Max e João Vitor, que representam diferentes trajetórias dentro do hip hop no município. Apesar da expansão da cena, os artistas ainda enfrentam obstáculos como a falta de estrutura, a limitação de eventos culturais e a predominância de estilos comerciais como o forró e o piseiro no mercado regional.

Em 2022, o documentário ‘O Rap em Seabra’ registrou o crescimento do movimento na cidade, reunindo relatos de artistas locais e evidenciando tanto o avanço da cultura hip hop quanto as dificuldades enfrentadas por músicos do interior da Bahia, especialmente no acesso a estrutura, espaços de apresentação e oportunidades de profissionalização.

Um dos destaques do rap em Seabra, Juliano Max, o Max MC, reforça o papel social da cultura hip hop na juventude. “Eu vejo que essa galera que entra no mundo das drogas e acaba fazendo coisas erradas. Se fossem implantadas mais atividades culturais e esportivas para essa juventude, acredito que, em vez de estarem na rua se envolvendo em situações de risco, estariam fazendo música, produzindo arte. Quem nunca escutou uma música para se alegrar, para melhorar o astral? A música é vida”.

Outro nome que também representa o gênero musical é DJ Magoh, que destaca os desafios para quem tenta seguir carreira no interior. “Aconselho que eles se esforcem para caramba, estudem, se mantenham firme, porque musica não é fácil e o mercado do rap é bem complicado”, ressalta.

Mesmo com os avanços, a cena do rap em Seabra segue em expansão de forma independente, impulsionada também por políticas públicas de incentivo à cultura, como a Lei Aldir Blanc e a Lei Paulo Gustavo, que têm possibilitado gravações de projetos musicais e produções audiovisuais, contribuindo para o fortalecimento do movimento e a consolidação de novos artistas na cidade.

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