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#Brasil: País enfrenta escalada de violência sexual com alta de 8% ao ano, aponta estudo

Pesquisadores conduziram um estudo de séries temporais com abordagem quantitativa | FOTO: rawpixel.com on Magnific |

A violência sexual no Brasil cresceu em todas as regiões do país de forma persistente entre 2016 e 2022, com média de 8,1% ao ano. O aumento atinge desproporcionalmente mulheres, adolescentes de 10 a 19 anos e pessoas de raça/cor parda. Os resultados são de um estudo feito por Ludiane Rodrigues (UFPI), Jardeliny Corrêa (UFPI) e outros colaboradores, com publicação prevista para maio no periódico Epidemiologia e Serviços de Saúde.

Os pesquisadores conduziram um estudo de séries temporais com abordagem quantitativa, analisando 299.962 notificações extraídas do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Para processar os dados, eles usaram a regressão linear de Prais-Winsten, um modelo estatístico que detecta tendências em dados coletados ao longo do tempo e corrige distorções comuns em séries históricas.

Os achados servem de evidência para o aprimoramento de políticas voltadas ao tema, pois ajudam a identificar as lacunas no acolhimento das vítimas e no direcionamento de recursos para a rede intersetorial de saúde, segurança e assistência social. A pesquisa destaca que a mudança social depende do fortalecimento da educação sexual nas escolas, essencial para que crianças e adolescentes consigam identificar sinais de abuso, e da educação permanente de profissionais para um acolhimento mais resolutivo.

O estudo ainda mostra que a residência continua sendo o local de maior risco e que a violência cresce independentemente da suspeita de uso de álcool pelo agressor. Outro ponto relevante é a tendência estacionária observada no sexo masculino. Segundo as autoras, isso reflete a persistência de estereótipos de masculinidade que atuam como barreiras para a denúncia e busca de ajuda. “A masculinidade gera medo e vergonha de se colocar como vítima e procurar o serviço. O acolhimento profissional também pode ser falho nesse aspecto”, diz Ludiane.

Para estudos futuros, as pesquisadoras indicam a necessidade de investigações que incluam variáveis ainda ausentes no sistema oficial, como identidade de gênero e orientação sexual, a fim de ampliar a proteção a grupos minoritários e traçar estratégias de segurança mais inclusivas. “O Brasil tem um destaque negativo na violência contra pessoas trans, então ter esses dados em nível nacional seria fundamental”, afirma Jardeliny Corrêa. As autoras apontam ainda que a ficha de notificação precisa ser atualizada para contemplar toda a diversidade da sigla LGBTQIAPN+. Com informações da Agência Bori e do Caderno Baiano.

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