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#Chapada: Boa Vista do Tupim preserva raízes do garimpo, exalta cultura vaqueira e se firma no turismo de fé

Boa Vista do Tupim ressignifica sua história e se destaca pela cultura e pelo turismo de fé | FOTO: Montagem do JC |

O município de Boa Vista do Tupim, na Chapada Diamantina, carrega uma história marcada pelo garimpo, pela luta política e pelas tradições culturais preservadas ao longo das décadas. De antigo povoado ligado a Itaberaba à cidade conhecida pelas festas populares e pelo turismo religioso, Boa Vista do Tupim mantém viva parte importante da memória do interior baiano.

A região era habitada pelos indígenas maricás até o avanço dos bandeirantes no século XVII, período marcado pela busca por ouro na Chapada Diamantina. Com a abertura de caminhos para a Serra do Orobó e o crescimento da exploração aurífera, começaram a surgir os primeiros núcleos populacionais da região. O povoado passou a se chamar Boa Vista devido à paisagem privilegiada do local onde hoje está situada a Praça Rui Barbosa, atual centro da cidade.

Boa Vista do Tupim Atualmente | FOTO: Reprodução/ Guia Chapada Diamantina |

No final do século XIX, histórias como a do casal Berto e Bibiana, negros de origem banto que ocuparam terras na região, passaram a integrar a memória popular do município. Entre as primeiras famílias da cidade também aparecem Tamburi, Barbosa, Moreira Pinho, Lopes, Ribeiro e Garcia, que ajudaram na formação urbana e social da antiga vila.

O distrito de Boa Vista foi criado oficialmente pela Lei Municipal nº 47, de 4 de outubro de 1920, e posteriormente reconhecido pela Lei Estadual nº 1470, de 16 de maio de 1921. Anos depois, em 31 de dezembro de 1943, o distrito passou por uma importante alteração em sua identidade, adotando oficialmente o nome de Boa Vista do Tupim, marco que reforçou o processo de consolidação histórica e administrativa da localidade.

A emancipação política aconteceu em 19 de julho de 1962, através da Lei Estadual nº 1729, após mobilização de lideranças locais como Elidio Pimenta de Freitas, Alício Dultra Andrade e Dr. Auto José de Castro. A instalação oficial do município ocorreu em 7 de abril de 1963.

A Festa dos Vaqueiros de Boa Vista do Tupim é marcada por atividades culturais e pelo fortalecimento da cultura sertaneja | FOTO: Montagem do JC |

Cultura
Atualmente, Boa Vista do Tupim mantém fortes tradições culturais que ajudam a movimentar a economia local e fortalecer a identidade da população. Entre as celebrações mais conhecidas está a Festa dos Vaqueiros, evento que reúne a comunidade em torno de manifestações ligadas à cultura sertaneja.

A programação inclui o tradicional desfile dos vaqueiros, além de atividades culturais, premiações e shows musicais. O São João também se destaca no calendário festivo do município, atraindo visitantes de diversas cidades da Chapada Diamantina com apresentações de quadrilhas, atrações musicais e culinária típica nordestina.

O Caminho de Santa Dulce dos Pobres integra um dos principais roteiros de turismo religioso em Boa Vista do Tupim | FOTO: Montagem do JC |

Turismo religioso em ascensão
Movidos pela fé e pela devoção, fiéis de diversas regiões da Bahia têm encontrado em Boa Vista do Tupim um destino cada vez mais procurado para experiências de espiritualidade. Integrado ao Caminho de Santa Dulce dos Pobres, o município recebe peregrinos que percorrem a rota em busca de contemplação, agradecimentos e renovação da fé, consolidando o trajeto como referência para católicos no estado. A vivência une religiosidade e contato com a natureza, passando por comunidades rurais, trilhas e pontos de devoção que reforçam a identidade cultural local.

O aumento do fluxo de visitantes também tem impacto direto na economia do município, beneficiando pequenos empreendedores, serviços de hospedagem e atividades ligadas ao turismo religioso. Esse cenário ganhou novo impulso com a inauguração, em novembro de 2025, do Caminho Diamantino, roteiro de cerca de 130 quilômetros voltado à peregrinação na Chapada Diamantina. A iniciativa amplia as rotas de fé na região e fortalece Boa Vista do Tupim como ponto estratégico do turismo religioso no interior baiano, abrindo novas perspectivas de desenvolvimento sustentável.

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