O casal de ambientalistas Alcione Correa e Marcos Fantini, vítimas de um atentado a tiros na Serra da Chapadinha, em Itaeê, afirma que segue cobrando avanço nas investigações do crime e a identificação dos responsáveis. Além da violência sofrida, Alcione também relata preocupação com a exposição de seus dados pessoais em uma audiência pública da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), realizada em 2024, o que, segundo ela, ampliou o sentimento de insegurança.
Segundo Alcione, a principal suspeita em torno do atentado está relacionada a conflitos fundiários e à atuação de grupos envolvidos com grilagem de terras na região. Ela também aponta que o episódio pode ter relação com o incômodo gerado pelos avanços nas discussões sobre a criação de uma unidade de conservação na Serra da Chapadinha, proposta que vem sendo debatida por órgãos ambientais e comunidades locais.
A ambientalista reforça que a situação exige apuração detalhada e não pode ser tratada de forma superficial pelas autoridades. Ela afirma que o conjunto dos episódios vividos pelo casal reforça a necessidade de respostas mais rápidas e efetivas, especialmente diante da permanência do clima de tensão na região da Chapada Diamantina.
Em sua cobrança por justiça, Alcione foi enfática ao pedir responsabilização dos envolvidos no crime. “Queremos a apuração dos fatos, a identificação e a responsabilização dos executantes, dos mandantes e dos financiadores desse crime”, declara, ao defender o avanço das investigações e a elucidação completa do caso.
A Secretaria de Meio Ambiente da Bahia (Sema) negou qualquer irregularidade relacionada ao suposto vazamento de dados e afirmou seguir as normas da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Já a Polícia Civil da Bahia conduz a investigação sobre o atentado, com apoio de equipes de inteligência e perícia.
O Ministério Público Federal (MPF) também acompanha o caso e cobrou apuração rigorosa, além de medidas de proteção aos ambientalistas e comunidades da Serra da Chapadinha. O órgão destacou a necessidade de respostas institucionais diante da gravidade das denúncias.
A Serra da Chapadinha, que abrange municípios como Itaetê, Ibicoara e Mucugê, é considerada uma área estratégica ambiental da Chapada Diamantina, com grande relevância para a preservação de nascentes, da biodiversidade e dos ecossistemas da região. Ao mesmo tempo, o território é marcado por disputas envolvendo o uso do solo e pressões econômicas, o que envolve diferentes interesses e contribui para o aumento da tensão local ao longo dos anos.
Entenda o caso
O ataque armado ocorreu entre a madrugada de 30 de abril e 1º de maio, na Pousada Toca do Lobo, localizada na Serra da Chapadinha. Um grupo de homens encapuzados e armados invadiu o local, rendeu um casal de ambientalistas e permaneceu na propriedade por cerca de duas horas. Durante a ação, equipamentos foram destruídos e parte da estrutura da pousada foi danificada, além de terem sido registrados disparos de arma de fogo.
A ação violenta teve como alvo direto os ambientalistas Alcione Corrêa e Marcos Fantini, conhecidos pela atuação na defesa ambiental da região. Os criminosos também subtraíram equipamentos e materiais utilizados no monitoramento ambiental, intensificando o clima de intimidação durante a invasão.
Jornal da Chapada

