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#Salvador: Rute Fiúza presta depoimento e volta a cobrar júri popular para caso do filho Davi

Emocionada, Rute Fiúza afirmou que ainda não conhece o significado da palavra justiça | FOTO: Divulgação |

O caso Davi Fiúza, jovem negro desaparecido desde 2014 após ser levado por policiais militares no bairro de São Cristóvão, voltou ao centro do debate na última segunda-feira (25), durante a audiência de instrução do processo que investiga o envolvimento de PMs. Essa audiência foi realizada no Fórum Criminal Desembargador Carlos Souto, em Sussuarana. Nesta terça-feira (26), a mãe de Davi, Rute Fiúza prestou depoimento no Ministério Público.

Ela voltou a cobrar que os acusados sejam levados a júri popular. Emocionada, Rute Fiúza afirmou que ainda não conhece o significado da palavra justiça. “Uma palavra que ainda não conheço é justiça. Para mim, a justiça ainda é uma utopia. Estou lutando por ela”, declarou.

Para ela, o caso representa não apenas uma dor individual, mas também a cobrança coletiva por respostas do Estado diante da violência policial contra jovens negros nas periferias. “Meu luto é uma luta. Meu clamor é o júri popular”, afirmou Rute Fiúza, coordenadora do Movimento Mães de Maio da Bahia e integrante da Coalizão Negra por Direitos.

Ela também criticou a lentidão do processo. “A morosidade judiciária é para que caia no esquecimento e para que a gente desista, como se mãe desistisse do filho. Eu não vou desistir”, disse. Rute demonstrou preocupação com o tempo de tramitação, que já chega a 12 anos sem uma definição judicial. “Espero que esse caso não se prolongue por mais 12 anos. Só peço que não seja arquivado, porque existem provas robustas de todo o fato”, afirmou.

Caso representa não apenas uma dor individual, mas também a cobrança coletiva por respostas do Estado | FOTO: Divulgação |

Representantes da Anistia Internacional e da Iniciativa Negra acompanharam a audiência e o depoimento, reforçando o monitoramento nacional e internacional sobre a condução do processo, marcado por sucessivos adiamentos e pela demora judicial que atravessa mais de uma década.

Co-fundador da Iniciativa Negra, Dudu Ribeiro reforçou a expectativa de que o caso seja encaminhado ao júri popular. “A ida do caso para a Justiça comum já demonstra o reconhecimento de indícios de homicídio. Esperamos que, com a escuta das últimas testemunhas, o juiz pronuncie o caso para júri popular, garantindo não apenas justiça, mas também reafirmando que nenhuma família merece passar pelo que a família de Rute Fiuza enfrenta. O Estado precisa ser responsabilizado e garantir a devida reparação”, pontuou.

O processo entra agora na fase de alegações finais, etapa em que acusação e defesa apresentam suas manifestações antes da decisão do juiz sobre o encaminhamento do caso para julgamento. Esse prazo é de 25 dias.

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