A Chapada Diamantina voltou ao centro das atenções do mercado internacional de pedras preciosas após uma esmeralda de 142 quilos encontrada na Serra da Carnaíba, no município de Pindobaçu, ser colocada em leilão com lance inicial de R$ 79,8 milhões. Batizada de ‘Selena’, a pedra será leiloada nesta quinta-feira (28) e já é considerada por especialistas como uma das mais raras já descobertas no país.
O nome da esmeralda faz referência à deusa grega da Lua, em razão do brilho e da tonalidade prateada observados na formação mineral. O exemplar mede 94 centímetros de largura, 67 centímetros de altura e 28 centímetros de profundidade, preservando características geológicas consideradas incomuns até mesmo para padrões internacionais do mercado de gemas.
A descoberta reforça a relevância histórica da Chapada Diamantina no cenário mineral brasileiro. A região ficou conhecida mundialmente desde o século XIX pelo garimpo de diamantes e pedras preciosas, atividade que moldou cidades inteiras, impulsionou ciclos econômicos e deixou marcas profundas na formação social e cultural do território baiano. Municípios como Lençóis, Andaraí, Mucugê e Pindobaçu carregam até hoje heranças do período do garimpo, que transformou a Chapada em um dos maiores polos minerais do país.
Mesmo após o declínio da exploração diamantífera tradicional, áreas da Chapada e do norte baiano continuaram atraindo atenção pela presença de minerais valiosos, especialmente esmeraldas. A Serra da Carnaíba, onde a pedra ‘Selena’ foi encontrada, é conhecida nacionalmente pela intensa atividade garimpeira e pela ocorrência de jazidas de alto valor comercial, atraindo mineradores, investidores e colecionadores há décadas.
Pedra rara reacende debates sobre riqueza mineral e preservação ambiental
Segundo a descrição técnica divulgada pela Bid Leilão, a peça consiste em uma ‘canga de esmeralda’, formada por conglomerado de berilo e xisto, contendo cristais hexagonais de esmeralda preservados em sua estrutura original. Para especialistas, o diferencial não está apenas no tamanho da pedra, mas no estado de conservação e na integridade geológica do material.
O gemólogo e perito da Bid Leilão, César Augusto Maia, classificou a descoberta como uma raridade de importância internacional. “Selena reúne características geológicas, dimensão e integridade que a colocam em um patamar único no mundo. Não é apenas um ativo mineral, é uma peça de valor científico, histórico e colecionável”, afirmou.
Além do valor financeiro, a pedra chama atenção por representar um verdadeiro registro geológico preservado ao longo de bilhões de anos. “Estamos tratando de uma pedra de 2 bilhões de anos, extremamente resistente. Ainda assim é necessário que a guarda preveja não apenas a segurança, mas também a conservação do material”, explicou Maia ao comentar os protocolos exigidos durante o processo de armazenamento e transporte da esmeralda.
O leilão também segue rígidas regras de segurança e compliance. O pagamento deverá ser realizado à vista, por depósito bancário, além da cobrança de taxa adicional de 5% referente aos honorários do leiloeiro. O regulamento prevê ainda multa de 30% caso o comprador não efetue o pagamento após o arremate da peça.
Segundo a Bid Leilão, a guarda da esmeralda poderá ocorrer em empresas especializadas em custódia mineral, em propriedade particular do comprador ou sob responsabilidade da própria leiloeira, sempre com acompanhamento técnico e documentação registrada. O processo inclui análise da origem dos recursos utilizados na compra e revisão pericial para garantir autenticidade e segurança jurídica da transação.
A comercialização da ‘Selena’ reacende debates sobre a riqueza mineral da Chapada Diamantina e o potencial econômico ainda existente em regiões historicamente ligadas ao garimpo. Ao mesmo tempo, especialistas apontam que descobertas desse porte reforçam a necessidade de fiscalização ambiental, controle sobre a exploração mineral e preservação das áreas naturais da região, que concentram não apenas riqueza econômica, mas também patrimônio histórico, científico e ambiental de relevância internacional.
Esmeraldas gigantes
A Serra da Carnaíba já foi palco de outras descobertas consideradas históricas no mercado de pedras preciosas. De acordo com a Cooperativa Mineral da Bahia (CMB), uma das mais conhecidas recebeu o nome de ‘Constelação’, exemplar que se tornou referência internacional pela dimensão e quantidade de cristais preservados em sua estrutura.
A pedra pesa cerca de 351 quilos, possui aproximadamente 1,35 metro de altura e reúne mais de 10 mil esmeraldas em sua formação geológica. O exemplar pertence a um empresário do setor mineral residente em Salvador e possui valor estimado em cerca de R$ 3 bilhões, sendo considerada uma das maiores e mais valiosas esmeraldas já encontradas no Brasil. Jornal da Chapada com informações do portal Gazeta do Povo.

