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#Brasil: Projetos de renovação das hidrovias do São Francisco e do Parnaíba vão ampliar logística sustentável no Nordeste

Ideia é reduzir custos logísticos e estimular o desenvolvimento regional | FOTO: Denis Rocha/Marinha do Brasil |

Fundamentais para o fortalecimento da logística nacional, as hidrovias do São Francisco e do Parnaíba contam com projetos de revitalização que vão ampliar a competitividade do Nordeste. Além de contribuir para diversificar a matriz de transportes brasileira, a ideia é reduzir custos logísticos e estimular o desenvolvimento regional de forma sustentável por meio das duas vias fluviais, quando as obras estiverem concluídas.

Com cerca de 2,8 mil quilômetros de extensão a retomada do Rio São Francisco como corredor logístico é considerada uma das principais iniciativas para ampliar a integração entre o Sudeste e o Nordeste.

“A Hidrovia do São Francisco é a via mais econômica, eficiente e sustentável de ligação entre o Centro-Sul e o Nordeste do Brasil. A retomada de suas operações vai permitir a integração econômica de 505 municípios localizados nos Estados de Alagoas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco e Sergipe, fortalecendo o escoamento da produção e beneficiando mais de 11,4 milhões de pessoas”, explica Antonio Gobbo, presidente da Autoridade Portuária Federal – Codeba.

O projeto de reativação da Hidrovia do São Francisco, pela Codeba, envolve uma série de etapas que vão desde a realização de estudos técnicos, organização da documentação das embarcações junto aos órgãos competentes, planejamento da navegação e a captação de investimentos para infraestrutura hidroviária e identificação de novas oportunidade de negócios.

O projeto da Nova Hidrovia do São Francisco prevê a reativação da navegação comercial em 1.371 quilômetros navegáveis, entre Pirapora (MG) e Juazeiro (BA)/Petrolina (PE). Sob coordenação da CODEBA, a expectativa é movimentar até 5 milhões de toneladas de cargas já no primeiro ano de operação.

Os estudos de modelagem econômica em andamento contam com a participação da Agência Nacional de Transporte Aquaviária (Antaq) e da Marinha do Brasil. A iniciativa busca consolidar um modelo de transporte mais eficiente e ambientalmente sustentável. Um único comboio hidroviário, por exemplo, pode equivaler até 163 carretas nas rodovias, com potencial para reduzir custos, emissões e congestionamentos.

O projeto também prevê a integração da hidrovia às malhas ferroviária, rodoviária e portuária, conectando-se à Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), à Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e ao Porto de Aratu (BA), ampliando a eficiência logística para o escoamento de insumos agrícolas, grãos, minérios, gesso, calcário, bebidas e sal.

“A Nova Hidrovia do São Francisco representa avanço para a logística nacional, promovendo um transporte mais limpo, eficiente e competitivo, além de ampliar a movimentação de cargas entre os estados nordestinos”, destaca o secretário nacional de Hidrovias e Navegação do Ministério de Portos e Aeroportos, Otto Luiz Burlier.

Estudo da modelagem econômica da Hidrovia do São Francisco | FOTO: Divulgação/Codeba |

Hidrovia do Parnaíba
Com 1.344 quilômetros de extensão, a Hidrovia do Parnaíba abrange os rios Parnaíba e Balsas, atravessando Maranhão, Piauí e Ceará e atende 54 municípios. A via integra corredores logísticos estratégicos e possui grande potencial para o escoamento da produção agrícola do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins Piauí e Bahia), uma das principais fronteiras agrícolas do país.

Em maio de 2025, o Governo Federal delegou a gestão da hidrovia ao Estado do Piauí, a primeira transferência desse tipo na história do Brasil. A medida permitirá a recuperação da navegabilidade do rio e a modernização da infraestrutura hidroviária, sob coordenação da Companhia Porto Piauí.

De acordo com os atuais estudos e obras preparatórias, quando a hidrovia estiver totalmente operacional, ela permitirá a navegação de embarcações com capacidade para transportar até 2,1 mil toneladas de grãos por viagem, o equivalente a cerca de 50 caminhões bitrem.

A expectativa é de que, em até três anos após o início das operações, a hidrovia movimente entre quatro e cinco milhões de toneladas de grãos por ano. Além de reduzir a dependência do transporte rodoviário, o projeto fortalecerá a integração logística com o Porto Piauí, gerando empregos, atraindo investimentos e ampliando a competitividade da produção regional.

“Essas ações permitem que a navegação ocorra de forma contínua, fortalecendo rotas estratégicas para o transporte de mercadorias e ampliando a segurança de quem utiliza as hidrovias”, conclui o secretário Otto Luiz Burlier.

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