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#Chapada: Aplicação de R$ 520 mil em shows por meio de contratos vinculados à Educação coloca prioridades da gestão em debate em Lajedinho

Shows de Devinho Novaes e Manim Vaqueiro colocam em evidência contratos da Festa dos Vaqueiros vinculados ao Fundo Municipal de Educação de Lajedinho | FOTO: Montagem do JC |

A destinação de recursos públicos para a contratação de atrações musicais da 59ª Festa dos Vaqueiros tem gerado questionamentos em Lajedinho, município da Chapada Diamantina com população estimada em apenas 3.610 habitantes, segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme extratos publicados no Diário Oficial da União (DOU), a gestão do prefeito Antônio Mário (PSD) autorizou contratos que somam R$ 520 mil para apresentações artísticas, tendo como contratante o Fundo Municipal de Educação, instrumento criado para administrar recursos voltados à manutenção e ao desenvolvimento do ensino público.

Os documentos apontam a contratação do cantor Devinho Novaes pelo valor de R$ 300 mil para apresentação no dia 1º de agosto de 2026. O que chama atenção é que o Extrato de Contrato nº 65/2026 foi publicado duas vezes no DOU. Embora apareçam como publicações distintas, ambos os registros possuem o mesmo número contratual, a mesma empresa contratada e o mesmo valor global. Já para o dia 2 de agosto, a prefeitura firmou contrato de R$ 220 mil com o cantor Manim Vaqueiro, totalizando R$ 520 mil em atrações para apenas duas noites de festa.

Nos dois casos, os extratos identificam como contratante o Município de Lajedinho, por meio do Fundo Municipal de Educação. Embora os documentos também indiquem que a despesa está vinculada ao Departamento de Cultura, Esporte e Lazer, a utilização da estrutura do fundo educacional para formalizar as contratações levanta questionamentos sobre a destinação dos recursos e a prioridade dos investimentos públicos.

Especialistas em gestão pública destacam que municípios de pequeno porte costumam concentrar diferentes áreas administrativas em uma mesma estrutura orçamentária, o que pode explicar a tramitação de determinadas despesas por fundos ou secretarias que não possuem relação direta com o objeto contratado. Ainda assim, a prática não deixa de despertar atenção quando envolve recursos vinculados à educação, área que historicamente enfrenta desafios relacionados à infraestrutura escolar, transporte de estudantes, aquisição de materiais pedagógicos e qualificação dos profissionais da rede municipal.

Mesmo após a repercussão do caso, o prefeito Antônio Mário ainda não apresentou esclarecimentos públicos sobre as contratações | FOTO: Montagem do JC |

O debate ganha ainda mais relevância diante da realidade de Lajedinho. Com pouco mais de 3,6 mil habitantes, o município possui demandas permanentes em diversos setores e, mesmo assim, prevê um investimento de mais de meio milhão de reais para apenas duas atrações musicais. Embora a Festa dos Vaqueiros seja uma das manifestações culturais mais tradicionais da cidade e tenha importância para a economia local, os valores contratados são considerados elevados para a realidade financeira da cidade.

Apesar da repercussão gerada pelas contratações e dos questionamentos envolvendo a vinculação dos contratos ao Fundo Municipal de Educação, a Prefeitura de Lajedinho ainda não se manifestou publicamente sobre o assunto. Até o momento, a gestão municipal também não apresentou esclarecimentos detalhados sobre a origem dos recursos utilizados, os critérios adotados para as contratações ou os motivos que levaram os contratos a serem formalizados por meio da estrutura do fundo educacional. Enquanto isso, o caso segue despertando debates sobre transparência, planejamento orçamentário e a definição de prioridades na aplicação dos recursos públicos em um município pequeno.

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