O número de vítimas mortais após os dois potentes terremotos que sacudiram a Venezuela na quarta-feira (24) continua aumentando. Nesta sexta-feira (26), estão confirmados aos menos 920 vítimas e mais de 3 mil feridos. E não há dúvida de que este desastre natural representa um golpe devastador para um país mergulhado há anos na incerteza.
Menos de seis meses atrás, forças americanas capturaram Nicolás Maduro, o líder de esquerda que governava o país desde 2013, em uma incursão à sua residência presidencial em Caracas ao amanhecer. Ele foi transportado para Nova York, nos Estados Unidos, para responder a acusações de narcotráfico.
Desde então, a Venezuela é governada pela então vice-presidente Delcy Rodríguez, aliada de Maduro, para grande pesar dos partidários da oposição. Eles esperavam que o governo Trump colocasse no poder a líder opositora, María Corina Machado.
A reação de Rodríguez frente ao terremoto deixou claro quais aspectos mudaram (e quais permanecem inalterados) desde a incursão americana de janeiro, bem como os inúmeros desafios enfrentados pela maltratada infraestrutura do país.
Rodríguez se dirigiu à nação através do canal estatal VTV, mais de duas horas após os tremores. Até então, havia muito pouca informação oficial, certamente porque as vias de comunicação com algumas das regiões mais afetadas estavam interrompidas.
Mas esta é também mais uma consequência das restrições impostas à imprensa independente pelo governo de Maduro. Sites de notícias foram fechados, além de centenas de emissoras de rádio, principalmente regionais, que teriam sido fundamentais para oferecer informações atualizadas para o público local.
Delcy Rodríguez estava acompanhada pelo seu irmão Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional Venezuelana, que tomou seu juramento como presidente interina, poucos dias depois da captura de Maduro. Com eles, estava também outro fiel aliado do ex-presidente: o ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello. As informações são da BBC.

