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#Chapada: Curta-metragem ‘Intervenção’ é selecionado para Festival de Cinema de Lençóis com reflexão sobre memória e invisibilidade

Selecionado para o Festival de Cinema de Lençóis "Intervenção" aborda saúde mental e o direito de existir | FOTO: Reprodução |

O 1º Festival de Cinema de Lençóis abrirá espaço para produções que dialogam com a identidade da Chapada Diamantina, e uma delas chega carregada de simbolismo. Selecionado para a programação do evento, o curta-metragem ‘Intervenção’ leva às telas a história de Zé Pedro, morador de Piatã que transforma os muros da cidade em páginas para registrar pensamentos, lembranças e sentimentos por meio de inscrições feitas com carvão.

A produção será exibida entre os dias 27 e 29 de agosto, período em que Lençóis receberá cineastas, produtores e o público para uma programação dedicada ao audiovisual baiano. Além da sessão do filme, o diretor Eduardo Rodrigues, a jornalista Emília Mazzei e a produtora Carla Sena participarão de debates sobre o processo de criação da obra.

O documentário acompanha o cotidiano de Zé Pedro sem recorrer a análises clínicas ou explicações técnicas sobre sua esquizofrenia. A narrativa observa apenas seus gestos, caminhadas e a insistência em escrever novamente nos muros, mesmo depois que as mensagens são apagadas. A proposta é provocar reflexões sobre memória, invisibilidade social e a forma como as cidades lidam com aquilo que foge do considerado ‘normal’.

“Intervenção não é um filme sobre esquizofrenia. É um filme sobre escuta. Sobre o que a cidade esconde. Sobre o que o cinema pode devolver”, resume o diretor Eduardo Rodrigues ao explicar a essência do curta.

O projeto nasceu após Rodrigues conhecer Zé Pedro por intermédio da jornalista Emília Mazzei, moradora de Piatã. A partir desse encontro, a equipe passou a registrar momentos simples da rotina do personagem, como suas caminhadas, os escritos espalhados pela cidade, recordações da infância e o desejo de assistir ao próprio filme depois de concluído.

A proposta do curta é discutir como o cinema pode contribuir para combater estigmas relacionados à saúde mental. Ao humanizar a trajetória de Zé Pedro, a obra convida o público a compreender diferentes formas de enxergar o mundo e reforça a importância da inclusão, da escuta e do respeito às diferenças.

Com presença confirmada no 1º Festival de Cinema de Lençóis, o curta fortalece a programação do evento ao reunir uma história profundamente ligada à Chapada Diamantina e transformar uma realidade local em reflexão universal. A seleção também evidencia o potencial do cinema regional para valorizar personagens, memórias e narrativas que muitas vezes permanecem fora dos grandes centros.

Jornal da Chapada

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