Os bordados artesanais e a riqueza cultural da Chapada Diamantina ganharam projeção nacional no novo universo visual de Anitta. Natural de Brumado, a estilista baiana Adriana Meira assina um dos figurinos de destaque de Equilibrivm II, utilizado pela cantora no clipe “Sem Pressa”, parceria com MC Tha. A peça leva para o audiovisual referências ao sertão, à Chapada Diamantina e ao trabalho manual desenvolvido por artesãs do interior da Bahia.
O vestido integra a coleção ‘Rio que Conta’, criada dentro do projeto Mãos na Moda, iniciativa do Nordestesse em parceria com o Riachuelo Lab, que busca aproximar marcas autorais de coletivos de artesanato tradicional do Nordeste. Produzido em tule e inteiramente aplicado e bordado à mão, o figurino reúne símbolos que dialogam com espiritualidade, ancestralidade e identidade cultural, conceitos presentes tanto na coleção quanto no álbum de Anitta.
A oportunidade surgiu poucos dias antes das gravações. Em entrevista ao BN Hall, Adriana Meira contou que o contato foi feito pela produtora de moda Laitania, também baiana, que já conhecia o trabalho desenvolvido pelo ateliê. “Foi tudo muito corrido. A produção entrou em contato pelo Instagram da marca, escolheu algumas peças e perguntou sobre a disponibilidade. Tivemos menos de uma semana antes das gravações”, relembra.
Chapada Diamantina inspira detalhes da criação
A inspiração para o vestido nasceu em Rio de Contas, na Chapada Diamantina, onde Adriana conviveu com artesãs durante o desenvolvimento da coleção. O trabalho delicado do crivo rústico, técnica preservada por mulheres da cidade, serviu como ponto de partida para transformar elementos tradicionais em uma peça contemporânea.
“Foram muitos meses de trabalho no projeto Mãos na Moda. O crivo rústico que elas fazem é primoroso, por isso me inspirei nelas para desenhar esta coleção. Se observarmos os apliques do vestido, há bordados do sertão e um diamante no centro do peito, rodeado pelas ‘flores-diamante’. Tudo casou perfeitamente com a estética mágica da música e da história contada no audiovisual”, explica a estilista.
Além dos bordados, a criação carrega elementos que remetem diretamente à Chapada Diamantina, reforçando a identidade cultural da região. O diamante aplicado ao centro da peça e os detalhes inspirados na flora e no artesanato regional ajudam a contar uma história que ultrapassa a moda e apresenta ao público um pouco da tradição preservada no interior baiano.
Para Adriana, o figurino também dialoga de forma natural com o conceito de Equilibrivm II, que explora temas ligados à espiritualidade, à ancestralidade e às religiões de matriz africana. Segundo ela, esses elementos sempre fizeram parte da identidade construída pelo ateliê ao longo dos últimos anos.
A presença de uma peça produzida no interior da Bahia em um projeto de repercussão internacional também fortalece a visibilidade da Chapada Diamantina e do sertão baiano. Além de ampliar o reconhecimento do trabalho desenvolvido por estilistas independentes, a participação evidencia o talento de artesãs, bordadeiras e costureiras que mantêm vivas técnicas tradicionais transmitidas entre gerações.
“É uma força gigante. Imagine viver no interior da Bahia e ver seu trabalho ganhando o mundo. Isso fortalece toda a cadeia produtiva, do bordado à costura, e enche de orgulho quem faz e quem veste. É uma sensação de pertencimento e orgulho de ser baiana. O sertão e a Chapada Diamantina têm uma riqueza cultural que merece ser vista”, afirma Adriana.
Fundado em 2014, o ateliê Adriana Meira consolidou uma identidade própria ao transformar referências do sertão e da Chapada Diamantina em peças autorais. Agora, ao integrar o projeto visual de uma das maiores artistas da música brasileira, a estilista leva a cultura, a memória e os saberes tradicionais do interior da Bahia para um público que ultrapassa as fronteiras do país. Jornal da Chapada com informações do portal Bahia Notícias.

