O Festival de Jazz do Capão realiza sua 13ª edição nos dias 18 e 19 de setembro, no Circo do Capão, em Palmeiras, na Chapada Diamantina, com programação gratuita que reúne artistas nacionais, músicos do território e projetos ligados à Universidade Federal da Bahia (UFBA), para celebrar 16 anos de atividades e promover encontros musicais, culturais e ambientais.
Na sexta-feira (18), os shows começam às 19h. No sábado (19), a programação tem início às 18h. Além das apresentações musicais, o festival promove dois workshops gratuitos no Coreto da Vila, ambos às 14h. No primeiro dia, Tiago Nunes e Alana Gabriela ministram a oficina “UPB e claves afrobrasileiras – iniciação ao método de Letieres Leite”. No sábado, integrantes do Quarteto Emmbra conduzem o workshop “Mulheres compositoras”.
A edição de 2026 tem como uma das principais características a criação de encontros inéditos entre músicos de diferentes trajetórias. A proposta busca aproximar linguagens, experiências e referências musicais em apresentações preparadas especialmente para o festival.
Segundo o diretor artístico Rowney Scott, a escolha por promover encontros entre artistas vem sendo desenvolvida em edições anteriores e ganhou força neste ano. Entre as experiências citadas por ele estão a participação de músicos locais na Mostra Capão, a colaboração do pianista norte-americano Michael Cain com músicos de Salvador e apresentações realizadas em edições recentes.
Para Scott, a proposta também ultrapassa a dimensão musical. O diretor artístico considera os encontros uma forma de estimular valores como coletividade, diversidade e empatia em um período marcado, segundo ele, pelo isolamento e pela dificuldade de convivência com diferentes perspectivas.
Programação musical
A primeira noite começa com a Mostra UFBA, que terá o baterista Victor Brasil em seu primeiro show solo no Festival de Jazz do Capão. O músico será acompanhado por Davi Ribeiro, no trompete; Nino Bezerra, no baixo; e Jorge Solovera, na guitarra. A apresentação foi selecionada por meio de edital interno da Escola de Música da UFBA.
Na sequência, o palco recebe o Quarteto Emmbra, formado por Aline Gonçalves, na clarinete e flauta; Louise Woolley, no piano; Camila Rocha, no contrabaixo; e Julia Rodrigues, na bateria. O grupo apresenta um repertório autoral relacionado à produção musical de mulheres brasileiras.
A sexta-feira será encerrada com “Orí Mejí”, encontro entre os percussionistas baianos Tiago Nunes e Alana Gabriela. O espetáculo combina composições autorais e releituras com referências às matrizes afro-brasileiras, à música instrumental e à criação contemporânea.
No sábado, a Mostra Capão abre a programação com duas apresentações protagonizadas pela flauta. O primeiro show será do Ari Vinícius Quinteto, formado por Ari Vinícius, Arian Pinho, Kiko Dorea, Estevam Dantas e Mauricio Sprovieri. Morador do Vale do Capão há 28 anos, Ari Vinícius desenvolve trabalhos como músico, produtor, educador e diretor musical.
Em seguida, Isa fLautaro apresenta um repertório que combina composição e improvisação, com adaptações do álbum What’s Next, músicas inéditas e obras de Gustavo Rocha. O músico estará acompanhado por Bruno Lavorini, Guilherme Luz, Gustavo Rocha e Leandro Mendes.
A programação continua com “Daniel Santiago Convida”, apresentação criada especialmente para o festival. O músico divide o palco com Guto Wirtti, Bruno Aranha e Reinaldo Boaventura, em um repertório que reúne composições próprias e releituras de obras de Heitor Villa-Lobos, Nelson Ângelo e Caetano Veloso.
Outro encontro inédito será entre os saxofonistas Nilton Azevedo e Lucas Decliê. A apresentação reúne trabalhos autorais dos dois músicos e referências da música instrumental, com participação de Alexandre Vieira, Jordi Amorim e Beto Martins.
O encerramento fica por conta de Ilessi, com o espetáculo “Atlântico Negro”. Cantora, compositora e pesquisadora musical, ela apresenta um repertório que combina canção brasileira, improvisação e elementos da música de tradição oral. No palco, será acompanhada por Marcelo Galter, Ldson Galter e Reinaldo Boaventura.
Música, território e preservação ambiental
A relação com o meio ambiente é um dos pilares do festival, que busca integrar a programação artística às características naturais e comunitárias do Vale do Capão. Para a organização, a realização do evento também depende da participação de empreendedores, trabalhadores e moradores da região.
Em 2026, a Campanha Ambiental do festival terá como foco as Unidades de Conservação do município de Palmeiras. A ação pretende ampliar a conscientização de moradores e visitantes sobre a importância da preservação dessas áreas.
Entre as medidas adotadas estão a coleta seletiva de resíduos, realizada em parceria com o Recicla Capão, e a utilização de utensílios biodegradáveis ou retornáveis pelos fornecedores da Praça de Alimentação. O evento também contará com ações de ordenamento do trânsito em parceria com a Secretaria de Infraestrutura de Palmeiras.
O festival ainda disponibilizará espaço para a Comissão de Festeiros de São Sebastião comercializar alimentos. Produtos oficiais, como camisas e canecas, também serão vendidos durante o evento, com 100% do lucro destinado à Escola Comunitária Brilho do Cristal.
Para a coordenadora de produção Fabiana Carvalho, a rede formada por pousadas, restaurantes, empresas de transporte, comerciantes, produtores e prestadores de serviços é fundamental para a realização do festival e para a integração da programação com a comunidade local.
A produção é realizada pela CulturaTAO e pelo Ministério da Cultura, com patrocínio da Axxo Construtora, RV Digital e Nutricash. O evento conta ainda com apoio da Prefeitura de Palmeiras e apoio financeiro do Governo da Bahia, por meio do Fundo de Cultura, da Secretaria de Cultura e da Secretaria da Fazenda.
Segundo o produtor executivo e sócio da CulturaTAO, Tiago TAO, manter o festival ao longo dos anos exige trabalho contínuo e articulação entre diferentes parceiros. A organização também pretende ampliar o evento nas próximas edições, com a presença de mais artistas no Vale do Capão.
Jornal da Chapada

