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#Chapada: Vila Igatu preserva história do garimpo em meio às belezas naturais do município de Andaraí

Ruínas de antigas habitações ajudam a preservar a memória dos moradores que viveram do garimpo em Igatu | FOTO: Reprodução/Wikimedia Commons |

Igatu, distrito de Andaraí, na Chapada Diamantina, preserva ruínas e construções de pedra que remontam ao período do garimpo de diamantes, entre a segunda metade do século XIX e o início do século XX, quando a localidade chegou a reunir mais de dez mil moradores e se tornou um dos principais centros de extração mineral da região.

Com o fim do ciclo do diamante, grande parte dos moradores deixou o distrito, enquanto casas e antigos estabelecimentos comerciais permaneceram no local. As construções, feitas com pedras encaixadas manualmente pelos garimpeiros, transformaram Igatu em um importante registro da história da Chapada.

O conjunto de ruínas é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A área protegida inclui as antigas habitações localizadas entre a ponte sobre o rio Coisa Boa e a margem esquerda, seguindo em direção à trilha do antigo garimpo.

Atualmente, Igatu possui cerca de 380 moradores, muitos deles descendentes de antigos garimpeiros. Com o passar dos anos, o turismo ganhou espaço na economia local e passou a dividir protagonismo com a agropecuária.

Casas de pedra preservadas em Igatu ajudam a contar a história do antigo ciclo do diamante na Chapada Diamantina | FOTO: Marcele/Wikimedia Commons |

Pedra por pedra, história do garimpo permanece viva
O centro de Igatu conserva construções do século XIX, período em que a exploração de diamantes movimentava a economia da região e atraía compradores europeus.

As antigas trilhas abertas pelos garimpeiros também permanecem como parte da paisagem. Entre elas está o caminho calçado em pedras que liga Igatu à sede de Andaraí, utilizado atualmente por visitantes que percorrem a região a pé.

O cenário das casas de pedra e das montanhas ao redor ajudou a consolidar o distrito como um dos destinos turísticos mais conhecidos do município.

Andaraí também abriga áreas do Parque Nacional
Além da importância histórica de Igatu, Andaraí possui parte de seu território dentro do Parque Nacional da Chapada Diamantina, criado por decreto federal em 17 de setembro de 1985.

Com aproximadamente 152 mil hectares, o parque também abrange áreas de Ibicoara, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras. A unidade de conservação protege trechos da Serra do Sincorá, extensão baiana da Cadeia do Espinhaço, além de importantes áreas de nascentes.

Serra do Sincorá concentra áreas protegidas pelo Parque Nacional da Chapada Diamantina | FOTO: Rafael Pereira/Wikimedia Commons |

Entre os rios que têm origem na região está o Paraguaçu, que atravessa Andaraí e contribui para o abastecimento da Região Metropolitana de Salvador.

A visitação ao parque não possui cobrança de ingresso nem um único acesso principal. O ICMBio recomenda a contratação de condutores para os passeios, principalmente porque algumas trilhas não são sinalizadas e há áreas sem cobertura de telefonia celular.

Marimbus reúne canais, vegetação aquática e aves em uma das experiências de turismo de Andaraí | FOTO: Alexandre Magno Teles Zimerer |

Marimbus é um dos destaques do turismo local
O turismo em Andaraí também envolve experiências ligadas às comunidades tradicionais. No Remanso, comunidade quilombola do município, visitantes podem iniciar passeios de canoa pelo Marimbus.

A área alagada é conhecida como o pantanal da Chapada por reunir canais, vegetação aquática e diferentes espécies de aves. O local integra as opções de turismo de base comunitária desenvolvidas na região.

Outros atrativos também fazem parte dos roteiros de quem visita o município. Entre eles estão o Poço Encantado, conhecido pela água de tonalidade azul intensa durante determinado período do ano; a Gruta da Paixão, com formações de estalactites e estalagmites; e trechos do rio Paraguaçu, onde existem praias fluviais e poços de água corrente.

Cada estação muda a paisagem
O clima de Andaraí apresenta diferenças ao longo do ano. A altitude contribui para amenizar as temperaturas do interior baiano, enquanto os períodos de chuva e estiagem interferem diretamente no volume dos rios, nas cachoeiras e nas condições das trilhas.

Entre dezembro e fevereiro, as temperaturas ficam aproximadamente entre 20°C e 32°C, com possibilidade de pancadas de chuva no fim da tarde.

De março a maio, os termômetros variam entre 19°C e 30°C. É um período em que as chuvas podem aumentar o volume das cachoeiras e deixar algumas trilhas escorregadias.

Entre junho e agosto, as temperaturas ficam aproximadamente entre 15°C e 27°C. O período mais seco costuma trazer dias de céu aberto e noites mais frias nas áreas serranas.

Já entre setembro e novembro, os termômetros podem variar de 19°C a 33°C. Com a redução das chuvas, os rios podem apresentar menor volume e os dias ficam mais quentes.

As temperaturas são aproximadas e podem sofrer alterações de um ano para outro em razão de fenômenos climáticos, como El Niño e La Niña. Por isso, a previsão do tempo deve ser consultada antes da viagem.

Construída em pedra, Igreja de São Sebastião marca a paisagem histórica de Igatu | FOTO: Reprodução |

Entre ruínas e natureza
A paisagem de Andaraí reúne diferentes períodos da história da Chapada Diamantina. Em Igatu, as pedras utilizadas pelos antigos garimpeiros permanecem como parte da identidade do distrito, enquanto as trilhas, rios, cavernas e áreas protegidas ampliam as possibilidades para quem visita a região.

O fim da exploração de diamantes mudou a rotina da antiga vila, mas não apagou as marcas deixadas pelo garimpo. Hoje, as construções que sobreviveram ao tempo ajudam a contar essa história e fazem de Igatu um dos lugares mais singulares de Andaraí.

Para quem percorre a Chapada Diamantina, o distrito apresenta uma combinação entre memória, paisagem e turismo, em uma área onde as marcas deixadas pelo garimpo continuam presentes no cotidiano e no cenário da região. Com informações do Canal Rural.

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