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#Chapada: Itaberaba entrou na era da energia elétrica em 1938 e transformou o cotidiano do comércio e das famílias do município; veja vídeo

Candeeiros eram utilizados pelos moradores de Itaberaba para iluminar as casas antes da chegada da energia elétrica à zona urbana | FOTO: Divulgação |

Itaberaba passou a contar oficialmente com energia elétrica na zona urbana em 1938, segundo registros históricos do município portal de entrada da Chapada Diamantina. A chegada do serviço transformou gradualmente a rotina dos moradores, que até então dependiam de candeeiros e outras formas de iluminação à base de combustível para atravessar as noites.

A rotina antes da eletricidade
Antes da chegada da energia elétrica, os candeeiros faziam parte do cotidiano das famílias. Produzidos geralmente com materiais como folha-de-flandres ou zinco, os utensílios tinham um reservatório para querosene ou óleo diesel e utilizavam um pavio de algodão para produzir a chama.

A iluminação, porém, exigia cuidados constantes. Os pavios precisavam ser limpos e cortados, enquanto o combustível era reposto no fim do dia para garantir luz durante a noite. O uso também deixava fumaça e um forte cheiro de querosene nos ambientes.

A iluminação limitada também interferia na rotina do comércio, que costumava encerrar as atividades no início da noite | FOTO: Divulgação |

Comércio encerrava as atividades mais cedo
A ausência de iluminação pública também influenciava o funcionamento do comércio de Itaberaba. As vendas e mercearias costumavam fechar por volta das 18h. Quando algum morador precisava comprar um produto depois desse horário, o comerciante recorria a um candeeiro para iluminar o interior do estabelecimento e localizar o que era procurado.

Nas ruas, a escuridão fazia parte da paisagem noturna. Quem precisava sair de casa utilizava lanternas a querosene ou contava com a claridade da lua para se deslocar.

Noites marcadas por histórias e brincadeiras
A falta de iluminação também fazia parte do imaginário popular no município portal de entrada da Chapada Diamantina. As ruas escuras contribuíam para a circulação de histórias sobre lobisomem, mula sem cabeça e almas penadas, personagens presentes nos relatos e causos contados entre os moradores.

As noites sem eletricidade também eram marcadas pelas conversas entre vizinhos nas calçadas e pelas brincadeiras das crianças | FOTO: Divulgação |

Apesar da escuridão, as noites também eram momentos de convivência. Era comum que moradores se sentassem nas calçadas para conversar e contar histórias, enquanto as crianças aproveitavam o espaço para brincar de pega-pega e esconde-esconde.

Até as tarefas domésticas exigiam outros métodos
Dentro das casas, atividades como passar roupa também dependiam de métodos diferentes dos utilizados atualmente. Os ferros de ferro fundido eram aquecidos com brasas retiradas do fogão a lenha.

Para manter o ferro quente durante o uso, era necessário controlar a temperatura das brasas, em um processo que fazia parte da rotina doméstica das famílias.

A chegada da eletricidade em 1938 mudou gradualmente os hábitos dos moradores e a paisagem noturna da região central de Itaberaba | FOTO: Divulgação |

A chegada da energia elétrica
A implantação do serviço de energia elétrica, em 1938, marcou uma mudança na vida urbana de Itaberaba. A primeira estrutura de geração local era uma usina termelétrica, com funcionamento baseado em motor de combustão a óleo, e o atendimento começou pela região central e pelas principais praças da cidade.

O fornecimento, no entanto, ainda estava longe de ser contínuo. A iluminação era ligada por volta das 18h e permanecia disponível até a meia-noite.

Quando chegava o momento de encerrar o serviço, três piscadas nos postes funcionavam como um aviso aos moradores. Depois disso, a população voltava a recorrer aos candeeiros para manter algum nível de iluminação durante a noite.

A chegada da eletricidade, mesmo com funcionamento limitado, marcou o início de uma nova fase para Itaberaba e modificou pouco a pouco hábitos que durante anos fizeram parte da vida cotidiana dos moradores.

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