A Polícia Civil da Bahia prendeu 11 pessoas e cumpriu um mandado contra um investigado que já estava no sistema prisional de Sergipe, na quinta-feira (24), durante a Operação Iceberg, deflagrada em Salvador, Jaguaripe, Santo Antônio de Jesus, Vitória da Conquista e Ilhéus, para desarticular um esquema de tráfico de drogas voltado a consumidores de alto poder aquisitivo. Segundo a investigação, o grupo movimentou mais de R$ 9,6 milhões em operações financeiras.
Drogas eram anunciadas pelas redes sociais
Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava principalmente as redes sociais para negociar os entorpecentes. Os pedidos eram feitos por mensagens privadas e os pagamentos ocorriam, em grande parte, por meio de Pix. As entregas eram realizadas em locais previamente combinados e as drogas eram transportadas em embalagens discretas, sem identificação do conteúdo.
A investigação identificou produtos comercializados com nomes como ICE, WOLF, DRY, FLOR 24K e REFIL HALLU CALIFA. De acordo com os investigadores, os entorpecentes eram apresentados como produtos diferenciados e vendidos por valores superiores aos praticados no mercado ilícito convencional. O público identificado incluía médicos, empresários, advogados e outros consumidores de alto poder aquisitivo.
Esquema tinha fornecedores e distribuidores
As investigações apontam que a estrutura contava com diferentes funções, incluindo fornecedores, distribuidores e pessoas responsáveis pela movimentação financeira. Parte das drogas era recebida de fornecedores de São Paulo e do Paraguai e posteriormente distribuída para municípios baianos.
Em Vitória da Conquista, por exemplo, a polícia identificou uma estrutura de distribuição regional. Segundo a investigação, parte dos entorpecentes era escondida em potes de produtos de beleza e transportada em ônibus comerciais para dificultar a identificação durante o deslocamento.
Veículos de luxo e movimentação financeira
Além da comercialização de drogas, a polícia identificou estratégias utilizadas para ocultar os valores obtidos com o esquema. A investigação aponta o uso de empresas, contas bancárias de terceiros e pessoas interpostas para movimentar os recursos.
Entre os bens alcançados pelas medidas judiciais estão oito carros e uma motocicleta. A lista inclui modelos como Audi A4 e Q3, BYD Song Plus GS DM, Honda CR-V Touring, Volkswagen Amarok, Jeep Compass, Chevrolet Tracker e Honda NXR 160 Bros. Segundo a polícia, o valor dos veículos ultrapassa R$ 1,1 milhão.
A análise financeira identificou mais de 16,6 mil transações bancárias relacionadas aos investigados e a terceiros. A Justiça também determinou o bloqueio de 20 contas bancárias, além de medidas para atingir veículos e outros ativos.
Operação teve origem em outra investigação
A Operação Iceberg teve origem em informações obtidas durante a Operação Gênesis, conduzida pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Durante a apuração anterior, os investigadores identificaram informações em um perfil de rede social que indicavam possível comercialização de drogas. A partir dos dados, uma nova investigação foi aberta e levou à identificação da estrutura de distribuição.
A ação contou com equipes do DHPP, Departamento de Inteligência Policial (DIP), Laboratório de Lavagem de Capitais, Denarc, Depin, Coordenação de Operações Especiais (Core) e Departamento de Polícia Técnica (DPT). Com informações do G1.

