As casas de apostas pagaram R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do futebol brasileiro em 2025, segundo levantamento da Sports Value. O valor representou cerca de 36% das receitas de marketing dessas equipes e pode sofrer impacto após a Medida Provisória publicada pelo governo federal nesta sexta-feira (25), que proibiu a exploração, oferta, intermediação e publicidade das bets no país.
A participação das bets foi ainda maior em alguns clubes. No São Paulo, por exemplo, os contratos com casas de apostas responderam por 73% das receitas de patrocínio.
As receitas de marketing dos 20 maiores clubes alcançaram cerca de R$ 3,2 bilhões em 2025, alta expressiva em relação aos anos anteriores. Segundo a Sports Value, o crescimento foi fortemente influenciado pelos valores pagos pelas empresas de apostas, que passaram a investir mais no futebol brasileiro.
Impacto nos clubes
A eventual perda desses contratos pode pressionar as finanças das equipes, principalmente aquelas que dependem mais desse tipo de patrocínio. Segundo Amir Somoggi, diretor da Sports Value, os valores pagos pelas bets elevaram o patamar dos contratos comerciais no futebol.
Em alguns casos, os clubes também podem ter utilizado contratos de patrocínio como garantia para antecipar receitas. Nesse modelo, a instituição financeira libera antecipadamente parte dos valores que seriam recebidos no futuro, mediante cobrança de juros.
“Os clubes que estão mais endividados e dependem muito das bets, como Corinthians e São Paulo, vão ao banco com o contrato assinado com a casa de apostas, usam esse contrato como garantia para antecipar os recebíveis e recebem o dinheiro antes, pagando juros bancários”, explicou Somoggi.
Com a proibição, contratos podem ser encerrados ou renegociados, o que pode obrigar clubes a buscar novas fontes de receita e reduzir despesas caso não encontrem substitutos rapidamente.
Espaço para novos patrocinadores
A saída das bets não significa que todo o valor deixará de circular no futebol. Bancos, seguradoras, empresas de cartões, alimentos e montadoras estão entre os setores apontados por Somoggi como potenciais interessados em ocupar os espaços deixados pelas casas de apostas.
A substituição, porém, dependerá do interesse dessas empresas e dos valores que estarão dispostas a investir. Com isso, os clubes podem enfrentar um período de adaptação até recompor as receitas de patrocínio.
Experiências no exterior
Outros países adotaram medidas diferentes para restringir a presença das apostas no futebol. Na Itália, a publicidade e o patrocínio de empresas de apostas no esporte foram proibidos. Na Espanha, regras restringiram os contratos e a exposição dessas marcas nos uniformes.
Na Inglaterra, a Premier League optou por um acordo voluntário para retirar as marcas de apostas da frente das camisas a partir do fim da temporada 2025/26.
No Brasil, a MP publicada nesta sexta-feira proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online. Com informações do G1.

