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#Brasil: Mãe e irmão do rapper Oruam são presos em operação da PF contra monopólio de internet do Comando Vermelho

Operação Backbone investiga uso de provedores para controlar o serviço em comunidades do Rio de Janeiro e lavar dinheiro | FOTO: Divulgação/PF |

A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta segunda-feira (19), Márcia Gama dos Santos Nepomuceno e Lucas Santos Nepomuceno, mãe e irmão do rapper Oruam, durante a Operação Backbone, deflagrada no Rio de Janeiro e em municípios da região metropolitana para combater o monopólio de internet atribuído ao Comando Vermelho (CV). A ação busca desarticular uma estrutura que, segundo as investigações, utiliza ameaças e empresas provedoras para controlar o fornecimento do serviço em comunidades e lavar recursos da organização criminosa.

Márcia e Lucas, conhecido como Lucca, estão entre os alvos de 23 mandados de prisão preventiva expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a Polícia Federal, até a atualização divulgada às 11h33 desta segunda-feira, 19 pessoas haviam sido presas. Entre os alvos também está Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, pai do rapper, que já está custodiado no sistema penitenciário.

Além das prisões, os agentes cumprem 24 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, envolvendo 40 pessoas físicas e 42 empresas, além da suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas investigadas.

O irmão do artista é um dos investigados na Operação Backbone, deflagrada nesta segunda-feira (19) | FOTO: Milton Oliveira/GloboNews |

Como funcionaria o esquema
Segundo a PF, o grupo criminoso impõe o controle sobre o fornecimento de internet nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão. As investigações apontam que pessoas armadas cortam cabos, incendeiam caixas de distribuição de operadoras concorrentes e impedem reparos, forçando moradores e comerciantes a contratar serviços autorizados pela facção.

Ainda conforme a corporação, os provedores que operam nessas áreas pagam mensalmente valores para ter autorização de funcionamento. Registros contábeis analisados pelos investigadores indicariam que, em um único mês, a cobrança pelo serviço de internet representou mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha.

A investigação também apura o uso de empresas provedoras, produtoras de eventos, firmas de publicidade e outros negócios para ocultar a origem dos recursos. De acordo com a PF, parte dos valores seria movimentada por empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem, além de ser direcionada à aquisição de imóveis e criptoativos.

A mãe do rapper Oruam está entre os alvos da investigação da Polícia Federal sobre o controle do serviço de internet pelo Comando Vermelho | FOTO: Reprodução/Redes sociais |

Anatel poderá suspender autorizações
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será comunicada para adotar medidas relacionadas às autorizações das empresas investigadas e à interrupção dos serviços irregulares. A PF informou que deverão ser tomadas providências para garantir a continuidade do acesso à internet aos moradores das áreas afetadas.

Os investigados poderão responder por crimes como domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de atividades de telecomunicações e lavagem de dinheiro.

A Operação Backbone integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no Rio de Janeiro, em conformidade com diretrizes do Supremo Tribunal Federal.

PF apreende joias e dinheiro na casa de beneficiário de uma das empresas provedoras de internet do CV | FOTO: Divulgação/PF |

Investigações anteriores
Em abril de 2026, Oruam, Márcia e Lucas também foram alvos de uma fase da Operação Contenção, conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro e voltada à apuração de suspeitas de lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho. Na ocasião, eles não foram encontrados.

Em maio, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro denunciou Marcinho VP, Márcia, Oruam e outras pessoas por suspeitas de organização criminosa e lavagem de dinheiro. As acusações e os fatos investigados ainda devem ser analisados pela Justiça. Com informações do G1.

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