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Setor calçadista investiu R$ 80 milhões nos últimos 4 anos na Bahia

O segmento emprega 6,3 mil trabalhadores e pode chegar a R$ 129,2 mi em investimentos | FOTO: Divulgação/Manu Dias |

Intensivo em mão de obra, o segmento de calçados gerou cerca de 6,3 mil empregos nos últimos 4 anos na Bahia. Neste período, foram investidos R$ 80,3 milhões por um total de 25 empresas. A maior concentração desses investidores do setor está no Médio Sudoeste, com 14 unidades industriais. Desde 2015 foram assinados 24 protocolos de intenções com o governo baiano, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), voltados para o segmento de Calçados, Couro e Componentes. A previsão de investimento é de R$ 129,2 milhões e criação de quase 10 mil empregos diretos.

Das 25 empresas implantadas, oito fazem parte do mesmo grupo, Irmãos Soares, que fabrica a marca Sua Cia nos municípios de Itapetinga, Itororó, Ibicuí, Camacan e Firmino Alves, e BSC, que fabrica as marcas Lia Line e Offline em Conceição do Coité e Valente. As unidades juntas investiram um total de mais de R$ 25,3 milhões e geram aproximadamente 2,3 mil empregos, nos últimos quatro anos.

Com a intenção de ganhar o mercado do Norte e Nordeste, a Ferracini abriu uma filial no município de Amargosa em dezembro passado. A unidade, que tem 100% de baianos no seu quadro, fechou o primeiro semestre com 302 funcionários. De acordo com o diretor industrial da marca, Carlos Antônio de Oliveira, a Bahia foi escolhida por questão de logística. “Os incentivos fiscais do Estado também foram um atrativo e a mão de obra capacitada existente no município foi o diferencial para a escolha de Amargosa”, afirma.

Segundo o diretor industrial, atualmente, a unidade baiana produz 1,5 mil pares por dia, mas até outubro, a previsão é que a produção chegue a 1.750 pares/dia, gerando uma média de 50 novos empregos e chegando à capacidade máxima da fábrica. Os planos futuros são de uma ampliação, ocupando um segundo galpão que está vazio. Com isto, a unidade terá capacidade total de produzir 3,5 mil pares/dia. Novos empregos também devem ser gerados: a cada 250 pares/dia, a previsão é que seja gerada uma média de 50 novas vagas. A produção é escoada para o Brasil inteiro e exportada para cerca de 50 países.

“O segmento de calçados tem um enorme potencial de geração de emprego e renda para o nosso estado. Em contrapartida, a Bahia oferece infraestrutura pronta, uma oferta de mão-de-obra especializada e incentivos fiscais”, afirma a secretária de Desenvolvimento Econômico, Luiza Maia.

A marca gaúcha Calçados Pegada ampliou sua presença na Bahia em 2015 com a implantação de três unidades nos municípios de Santaluz, Esplanada e Sapeaçu. Foram investidos R$ 9,7 milhões até 2017 e criados 938 empregos. Ano passado, foi assinado um protocolo com o Governo do Estado para ampliação da primeira unidade do grupo implantada em Castro Alves. O projeto está previsto para ser concluído em 2019, com investimentos de R$ 6,5 milhões e geração de 200 novas vagas. A marca tem ainda uma unidade em Rui Barbosa, que foi implantada em 2012.

“A Bahia é o principal parque fabril da marca Pegada. Além dos incentivos fiscais, a grande disponibilidade de mão de obra foi o maior atrativo para nos instalarmos no Estado. Atualmente geramos 2.488 empregos na Bahia e a mão de obra é 99% baiana. Produzimos uma média de 17,5 mil pares/dia, com vendas destinadas em 90% para o Brasil e 10% para o exterior”, afirma o sócio-Administrador, Rubem Guilherme Ranft.

O estado tem atualmente cinco indústrias do segmento em implantação e uma em ampliação, com previsão de investimentos de R$ 70,1 milhões e criação de mais de 1,6 mil empregos em seis municípios: Teodoro Sampaio, Poções, Castro Alves, Santa Teresinha, Conceição do Almeida e Itapetinga.

Couro
No município de Santa Terezinha, a 200 km de Salvador, será implantada uma filial da Durli Couros, no segmento há 57 anos. A previsão de investimentos é de R$ 25 milhões e tem previsão de gerar 120 empregos diretos com capacidade de produção inicial de 2,5 peles/dia, podendo chegar a 4 mil peles/dia, quando o projeto estiver em pleno funcionamento.

A instalação de uma unidade beneficiadora de couro vai agregar valor ao produto dentro do próprio estado, fortalecendo a cadeia produtiva. Vale salientar a importância de um investimento como esse para um município que tem pouca atividade industrial. A unidade no município de Santa Terezinha é a segunda do grupo na Bahia, a primeira está localizada em Juazeiro, que produz 2 mil peles/dia.

Com sede em São José dos Pinhais, no estado do Paraná, a Durli Couros atua em oito estados e está ampliando para o Mercosul, com investimento no Paraguai. O mercado de couro no Brasil é 20% interno e 80% para exportação, no caso da Durli, a produção é escoada para Ásia, Europa e Estados Unidos. As indústrias de móveis e automobilística absorvem a maior parte da produção, ficando a indústria de calçados em terceiro lugar.

A Bahia tem potencial para continuar atraindo novos investidores no ramo, de acordo com a titular da SDE, Luiza Maia, além de oferecer “um excelente custo benefício em relação à logística”. É também um estado estratégico para o escoamento da produção para as regiões Norte e Nordeste. “O setor Calçadista é um grande fomentador de mão de obra em toda a sua cadeia produtiva e possui papel importante na indução da economia regional. Os incentivos fiscais disponibilizados para o setor podem chegar até 99% de Crédito Presumido”, explicou. O governo ainda oferece incentivos de infraestrutura para empresas que decidam se instalar em um dos distritos industriais ou em galpões do Estado. As informações são da SDE.

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