Jornal da Chapada

Chapada: Moradores de Igatu denunciam problemas com abastecimento de água; desafeto com administrador seria o motivo

“Já cheguei até as vias de fato, a discutir na frente do prefeito, de chegar eu grávida de 9 meses, brigar com ele e no outro dia eu tive filho” diz moradora sobre a situação com o administrador.

Os moradores da Vila de Igatu, distrito do município de Andaraí, na Chapada Diamantina, se queixam de que há anos vêm tendo problemas com a distribuição irregular da água na localidade. O administrador do serviço, que segundo informações atende pelo prenome Luziario, e é mais conhecido como ‘Gagau’, escolhe quem vai receber a água em suas torneiras e por quanto tempo, utilizando critérios de afinidade.

“Tenho problemas de abastecimento de água em Igatu desde que construí minha casa há quatro anos, na rua do Bambolim. Esse problema vem se agravando sempre. Tanto que investi em várias caixas d’água para que eu tenha garantia que mesmo que a água não chegue na minha casa por vários dias, eu vou ter uma água para dar um banho na minha filha que é um bebê”, diz Michele Cedro, de 33 anos, moradora da vila.

Michele segue relatando que a água do distrito é fornecida pela Embasa numa concessão gratuita e que o ‘Gagau’ é uma pessoa de difícil trato e que se utiliza da sua função para retaliar seus desafetos na comunidade. “Foram realizadas inúmeras queixas na prefeitura, abaixo-assinados e nada foi resolvido. Se tiver uma pessoa que ele tenha problema na rua, certamente você terá problemas com a água. Isso não é uma questão minha, é uma questão da comunidade inteira”, assevera Michele.

Confira o vídeo de Michele (caixas d’água)

No longo relato feito pela moradora, ela ainda conta que já houve até agressão física em uma das discussões entre ele e os moradores que o procuraram para reclamar da falta d’água. Ela diz também que, se para quem ele não gosta o ‘castigo’ é o racionamento do serviço, para os que o agradam a água corre em abundância e nunca falta nos canos grossos que abastecem as pousadas ligadas diretamente na tubulação da Embasa.

“Já cheguei até as vias de fato, a discutir na frente do prefeito, de chegar eu grávida de 9 meses, brigar com ele e no outro dia eu tive filho, por conta de nervoso, há dois anos e meio atrás”, narra Joelma Lopes, de 32 anos, também moradora da rua do Bambolim. A situação fica ainda mais dramática durantes os finais de semana e feriados, quando o fluxo de visitantes aumenta na vila turística.

“Sou uma das vítimas desse problema, aqui só tenho água da Embasa, não tenho outras [fontes de] água como muita gente aqui tem que vem água direto da serra, então só dependo da água da Embasa. Quando não mandam fico aqui na seca. Em novembro, me queixei pra Cosme – representante da prefeitura na Vila, popularmente conhecido como ‘Cosminho’, mandei mensagem para o secretário de obras, um senhor que se chama Mozart [Pina] e nunca me respondeu, encaminhei mensagens também para outras pessoas da prefeitura que tinha o contato e eu nunca tive uma resposta”, declara Tatiane Ferreira, de 37 anos, proprietária do Art Hotel Cristal.

A prefeitura de Andaraí aponta que foi realizado investimento recente para melhorar o abastecimento de água em Igatu | FOTO: Reprodução |

O Jornal da Chapada procurou Cosme para saber sua versão e pedir o contato de ‘Gagau’, ele disse que o mesmo não possui telefone. Cosme informou que retornaria para conversar conosco, o que não aconteceu. A reportagem do jornal tentou contato por mais de duas vezes por aplicativo de mensagem, mas ele não respondeu. A reportagem falou com o secretário de Infraestrutura de Andaraí, Mozart Pina, e ele nos disse, por telefone, que o assunto era da alçada de outra Secretaria do município, segundo ele, quem deveria responder era a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo.

Por fim, conseguimos conversar com Emílio Tapioca, gestor da pasta que se limitou a dizer que as denúncias não procedem e que os problemas com o abastecimento são apenas por conta de questões climáticas e do aumento do fluxo de pessoas na alta estação, onde ocorre um uso maior da água e, por isso, é feito um remanejamento. Tapioca fez questão de frisar que a prefeitura teria feito um investimento recente na troca de bombas e equipamentos para sanar a questão, no entanto, não entrou em detalhes sobre esses investimentos e, ao que parece, não foram suficientes para resolver o problema.

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