Jornal da Chapada

#Brasil: Homens estão cuidando menos da saúde na pandemia; medo de contrair covid é um dos motivos

Medo de contaminação pela covid-19 somou-se a outras justificativas para evitar consultas e exames médicos.

O cuidado dos homens com a saúde, que já não era o ideal, ficou ainda mais prejudicado desde o início da pandemia do novo coronavírus. Historicamente, eles já tinham o hábito de evitar consultas, fato que explica, em parte, a expectativa de vida deles ser sete anos menor do que a das mulheres. O medo de contrair a covid-19 se somou a outras justificativas para não ir a consultas ou fazer exames de rotina. Muitos, inclusive, têm adiado exames e, mesmo com a retomada gradativa das cirurgias eletivas baseada em diversos protocolos de segurança, estão com medo de ir ao hospital ou a uma unidade de saúde.

Entre as outras desculpas mais frequentes dos homens para não irem ao médico destacam-se a falta de tempo, o medo de descobrir alguma doença, o desconforto em exames como o de toque da próstata ou o fato de não estarem sentindo nada (a despeito de muitas doenças como o câncer não apresentarem sintomas em estágios iniciais, quando as chances de cura são maiores). Além de evitar consultas, exames e cirurgias, muitos homens aumentaram o consumo de bebidas alcoólicas, cigarro e comidas ricas em gorduras, açúcares e sal durante o isolamento social imposto pela pandemia.

Entre os que praticavam atividades físicas, grande parte aderiu ao sedentarismo neste período e aqueles que estavam planejando iniciar algum tipo de treino ou esporte acabou tendo que adiar seus planos. “Hábitos não saudáveis colaboram para o surgimento de inúmeras doenças. Atribuir à pandemia a responsabilidade pelas escolhas erradas não ajudará o homem a viver melhor. Muito pelo contrário”, declarou o uro-oncologista Augusto Modesto. Diante desta realidade, a Sociedade Brasileira de Urologia, seccional Bahia (SBU-BA), vem conscientizando os homens a respeito da importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Uro-oncologista Augusto Modesto | FOTO: Divulgação |

De acordo com Augusto Modesto, que é coordenador científico da SBU-BA, doenças graves como câncer podem complicar se não forem diagnosticadas e tratadas em estágio inicial. Por isso, “é fundamental que os homens continuem visitando o urologista anualmente a partir dos 45 anos (se forem negros ou tiverem histórico de câncer na família) ou dos 50 anos (para os demais). Antes desta idade, desde a infância, passando pela adolescência, juventude e vida adulta, os homens precisam visitar esporadicamente um especialista que possa orientá-lo em relação à prevenção, tratamento de outras possíveis doenças e à sexualidade”, resumiu.

Uma pesquisa recentemente realizada, revelou que a procura por cirurgias eletivas urológicas caiu 50%. Uma redução em 50% das cirurgias eletivas, e 54,8% apontou que as cirurgias de emergências diminuíram pela metade. O fato de muitos homens postergarem o tratamento pelo receio de contraírem a covid-19 preocupa especialistas. “Tumores mais avançados podem sofrer metástases ou se complicarem a ponto de afastar as chances de cura. Há casos em que a intervenção precoce faz toda a diferença”, frisou Augusto Modesto.

Apesar de entender a preocupação com o risco de contágio pela covid-19, o médico afirma que pacientes com câncer ou incontinência urinária, por exemplo, apresentam problemas que precisam de tratamento imediato. “Só um especialista experiente pode avaliar os casos que podem esperar pelo tratamento sem consequências para o paciente. Além disso, as consultas e exames de rotina são as melhores formas de se proteger”, frisou.

O uro-oncologista lembrou, ainda, que é comum que o homem, ao fazer um exame de próstata, saia da consulta com o diagnóstico de pressão alta, colesterol alterado ou diabetes. “O cuidado integral do homem não pode ser negligenciado. Obviamente, todos os cuidados para evitar a contaminação pela covid-19, como o uso de máscara ao sair de casa e a adequada e frequente higiene das mãos precisam ser mantidos”, ponderou Augusto Modesto. As informações são de assessoria.

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