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#Chapada: Projeto Arqueologia Musical resgata memórias e práticas musicais em Igatu

Professor e moradores em oficina de musicalização em Igatu | FOTO: Divulgação |

No interior da Bahia, onde a tradição das bandas filarmônicas ainda pulsa, o Projeto Arqueologia Musical de Igatu, vila turística em Andaraí, vem promovendo o resgate da memória musical da região e incentivando novas gerações. A iniciativa, em curso desde outubro de 2023 e com previsão de encerramento em agosto de 2025, tem como foco a preservação e revitalização da cultura musical local.

O projeto, realizado pela Galeria Arte & Memória, com patrocínio da Fundação José Silveira e apoio institucional da Promotoria Regional Especializada em Meio Ambiente do Alto Paraguaçu (MPBA), da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), inclui a catalogação, estudo e edição de partituras antigas, oficinas musicais, concertos e cursos voltados à manutenção de instrumentos.

Um dos principais eixos do projeto é a recuperação de mais de 600 partituras da extinta Philarmônica Lyra Wanderley de Igatu, encontradas em acervos particulares. A digitalização deste material tem possibilitado tanto a preservação quanto a divulgação de um repertório composto por mais de 150 obras, entre dobrados, polcas, valsas, marchas, missas e canções.

Coordenado pelos professores João Liberato (UFS) e Lucas Robatto (UFBA), com curadoria do artista Marcos Zacaríades, o projeto já permitiu a reconstrução de cerca de dez obras completas, algumas das quais foram executadas pela Filarmônica Lyra 28 de Abril de Andaraí.

Além do resgate histórico, as ações incluem atividades formativas, como oficinas de manutenção de instrumentos e aulas de musicalização, voltadas principalmente aos moradores de Igatu e arredores.

Segundo o professor João Liberato, os próximos meses contarão com visitas regulares de professores de música, oficinas colaborativas e o fortalecimento do Quarteto de Flautas de Igatu e do naipe de flautas da Filarmônica 28 de Abril.

O encerramento do projeto será marcado por um concerto do Quarteto de Flautas da Bahia, previsto para agosto deste ano, simbolizando o retorno da musicalidade de início do século XX à comunidade.

Para o artista Marcos Zacaríades, um dos destaques do projeto “é a formação de um corpo musical local, composto por moradores da região”. Ele também anunciou a “criação de uma exposição com o acervo restaurado, que será aberta ao público”.

A equipe do projeto conta ainda com os discentes Rafael Dias e Leandro Oliveira (UFBA) e Shéron Morales (UFS), com produção da Teia de Impacto.

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