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Home Cultura

#Cultura: Letras das músicas se tornaram mais simples e negativas nas últimas décadas

Estudo internacional aponta aumento de palavras ligad.as ao estresse e mudanças no clima emocional da sociedade ao longo de 50 anos.

Estagiário 2 por Estagiário 2
15 dezembro 2025 - 21h53
no Cidades, Cultura, Curiosidades, Menu Principal
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#Cultura: Música brasileira tem forte presença entre indicados ao Grammy Latino 2025

Estudo analisou mais de 20 mil músicas populares | FOTO: Reprodução/FreePik |

As letras das músicas populares passaram por uma transformação significativa nas últimas cinco décadas, tornando-se mais simples e com maior carga emocional negativa. É o que revela um estudo publicado nesta quinta-feira (11) na revista científica Nature, uma das mais respeitadas do mundo acadêmico.

De acordo com a pesquisa, desde a década de 1970 houve um crescimento expressivo no uso de palavras associadas a estresse, dor e sofrimento em canções populares, como “ruim”, “errado”, “chorar”, “machucar” e “odiar”. O fenômeno acompanha mudanças emocionais mais amplas observadas na sociedade, marcadas pelo aumento de ansiedade, estresse e outros transtornos psicológicos.

O levantamento foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Viena e analisou as letras das 100 músicas mais populares em inglês nos Estados Unidos, semana a semana, entre 1973 e 2023. Ao todo, mais de 20 mil canções fizeram parte da amostra, abrangendo artistas de diferentes gerações, como Carly Simon, Eric Clapton, Amy Winehouse, Drake e Lizzo.

Segundo o pesquisador Mauricio Martins, um dos autores do estudo, a música popular funciona como um espelho das emoções coletivas. “A longo prazo, a música reflete mudanças mais amplas no clima emocional da sociedade. O aumento da linguagem negativa acompanha o crescimento bem documentado do estresse, da ansiedade e das chamadas ‘doenças do desespero’”, afirmou.

O estudo também aponta uma simplificação progressiva da linguagem utilizada nas letras, o que pode estar relacionado a mudanças culturais e cognitivas, como a redução da capacidade de atenção, o consumo de música por meio do streaming e tendências mais amplas observadas na comunicação digital e na literatura contemporânea.

Exemplos citados pelos pesquisadores incluem músicas com forte carga emocional negativa, como Back to Black, de Amy Winehouse, Cry Me a River, de Justin Timberlake, e Hurt, interpretada por Elvis Presley. No extremo oposto, canções como YMCA, do Village People, e Do I Do, de Stevie Wonder, representam letras mais positivas e festivas.

Apesar da tendência geral, o estudo identifica uma inflexão a partir de 2016, quando músicas com letras mais complexas voltaram a ganhar popularidade. Eventos globais de grande impacto emocional, como os ataques de 11 de Setembro e a pandemia de Covid-19, também foram associados a períodos em que o público buscou letras menos estressantes e mais positivas.

Para os autores, em momentos de crise extrema, a música pode funcionar como ferramenta de regulação emocional, ajudando as pessoas a lidar com sentimentos difíceis. “Essas descobertas reforçam a importância da música na formação e na expressão dos estados emocionais da sociedade ao longo do tempo”, conclui Martins.

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Tags: ComportamentoculturaMúsicaPesquisa científicasaúde mental
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