Um novo planeta rochoso do tamanho da Terra foi identificado na chamada zona habitável de sua estrela — região em que, teoricamente, a água pode existir em estado líquido. Batizado de HD 137010 b, o exoplaneta está localizado a cerca de 146 anos-luz da Terra e apresenta aproximadamente 50% de chance de ter condições compatíveis com a existência de água, segundo estudo publicado em 27 de janeiro na revista The Astrophysical Journal Letters.
A descoberta aconteceu por meio da análise de dados coletados em 2017 pelo telescópio espacial Kepler, da Nasa, e envolveu pesquisadores da Austrália, Reino Unido, Estados Unidos e Dinamarca. O novo planeta orbita uma estrela semelhante ao Sol, embora um pouco mais fria e menos brilhante, o que influencia diretamente as condições climáticas do mundo recém-encontrado.
Com tamanho cerca de 6% maior que o da Terra, o HD 137010 b, apelidado de “Terra Fria”, completa uma volta ao redor de sua estrela em aproximadamente 355 dias, um período muito próximo ao ano terrestre. Essa órbita, somada à distância em relação à estrela, levou os cientistas a classificar o planeta como um possível “meio-termo entre a Terra e Marte”.
Apesar de estar na zona habitável, estimativas indicam que a temperatura de superfície pode ser bastante baixa. Como a estrela que ele orbita emite menos luz e calor do que o Sol, o planeta receberia menos de um terço da energia que chega à Terra. Dessa forma, a temperatura média pode ficar abaixo de -70 ºC, semelhante — ou até inferior — às condições observadas em Marte.
Para a pesquisadora Chelsea Huang, da Universidade do Sul de Queensland e uma das autoras do estudo, a descoberta é significativa principalmente pela proximidade relativa do planeta. “O que é realmente empolgante é que ele está a apenas cerca de 150 anos-luz do nosso sistema solar. Outros planetas do tamanho da Terra em zonas habitáveis costumam estar muito mais distantes e são bem mais difíceis de observar”, afirmou.
Detecção e observações
O HD 137010 b foi detectado pelo método de trânsito, que ocorre quando o planeta passa brevemente em frente à sua estrela, provocando uma pequena queda no brilho observado. Os pesquisadores rastrearam o tempo que a sombra do planeta levou para cruzar a face da estrela: cerca de 10 horas, em comparação às 13 horas que a Terra leva em um ciclo semelhante ao redor do Sol.
Curiosamente, o sinal inicial de trânsito foi identificado por cientistas cidadãos, incluindo um estudante do ensino médio, que analisavam dados do projeto Planet Hunters — uma iniciativa que convida voluntários a colaborar na busca por novos mundos.
Apesar do clima estimado como gélido, o exoplaneta pode, em teoria, se revelar um mundo temperado ou até mesmo com água líquida, se possuir uma atmosfera rica em dióxido de carbono — gás que pode reter calor de forma mais eficiente.
Status da pesquisa
Os pesquisadores reforçam que o objeto ainda é considerado um planeta candidato. Até o momento, apenas um trânsito foi observado, o que significa que novas medições são necessárias para confirmar definitivamente sua existência e refinar as estimativas sobre as condições ambientais do mundo.
Para a astrofísica Sara Webb, da Universidade de Swinburne — que não participou do estudo — a notícia é “empolgante”, mas merece cautela. Ela lembra que, mesmo sendo relativamente próximo em termos astronômicos, o planeta ainda está fora do alcance de qualquer exploração direta. “Se tentássemos chegar lá com a tecnologia atual, levaríamos dezenas ou até centenas de milhares de anos”, ressaltou.
Jornal da Chapada



















































