A Cidade Perdida de Ingrejil, localizada na Serra das Almas, em Livramento de Nossa Senhora, reúne vestígios arqueológicos que indicam a possível ocupação da região por povos ligados à civilização inca ou por uma cultura ainda mais antiga. Situado em uma área elevada e de difícil acesso, o local apresenta estruturas que sugerem a presença de grupos humanos organizados em um período muito anterior aos registros históricos conhecidos na Chapada Diamantina.
O sítio está situado no topo do Morro do Ingrejil e pode ser alcançado após cerca de 13 quilômetros de subida pela serra. No ponto mais elevado, concentram-se as ruínas atribuídas à chamada ‘cidade perdida’, distribuídas em uma área ampla e estrategicamente posicionada. A localização reforça a hipótese de uma ocupação planejada, possivelmente relacionada à defesa, ao controle do território ou à organização social dos grupos que habitaram a região.
Estruturas que indicam ocupação humana antiga
Entre os principais elementos observados no local estão as formações de pedras encaixadas com precisão, muitas delas polidas e ajustadas sem o uso de argamassa ou cimento. As rochas foram dispostas de forma semelhante a um grande quebra-cabeça, o que indica intervenção humana e conhecimento técnico para corte, transporte e encaixe dos blocos. Na parte superior das estruturas, as pedras apresentam formatos arredondados, característica incomum em formações naturais desse tipo.
Apesar dos impactos causados ao longo do tempo, especialmente pela passagem de garimpeiros pela região, parte significativa das evidências arqueológicas pode estar preservada abaixo da superfície. Escavações pontuais revelaram resquícios de antigas estruturas, incluindo o que seria um muro com cerca de oito centímetros de espessura, construído exclusivamente com pedras sobrepostas. Estimativas apontam que esse tipo de edificação pode ter sido erguido por volta de dois mil anos antes de Cristo, o que indicaria uma ocupação com aproximadamente 4 mil anos.
Além das estruturas fixas, diversos materiais arqueológicos foram encontrados ao longo dos anos, muitos deles recolhidos por moradores da região. Entre os achados estão pedras talhadas, ferramentas e martelos confeccionados em pedra polida, alguns produzidos em cristal de rocha. Esses objetos reforçam a hipótese de uma comunidade organizada, com domínio de técnicas específicas e possível especialização na produção de instrumentos.
A Cidade Perdida de Ingrejil foi identificada em 1984 e está oficialmente cadastrada no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como sítio arqueológico, sob o registro BA00664. Inserido no contexto dos mistérios arqueológicos da Chapada Diamantina, o local segue como uma importante referência para o estudo das ocupações humanas antigas no interior da Bahia, reunindo elementos que conectam história, arqueologia e preservação do patrimônio cultural brasileiro. Jornal da Chapada com informações do portal Explorando o Desconhecido.















































