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#Chapada: Prefeito ‘Robin Hood’ ataca vereadores e evita esclarecer denúncia sobre fraudes na educação em Nova Redenção

O prefeito Ademar Marttin se manifestou sobre a denúncia por meio de nota oficial | FOTO: Reprodução |

Após a publicação do Jornal da Chapada sobre a denúncia protocolada por vereadores de Nova Redenção no Ministério Público Federal (MPF), envolvendo uma possível fraude no cadastramento de alunos da Educação Básica para elevar repasses do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), o prefeito Ademar Marttin (PSD) se manifestou por meio de nota oficial. O esquema apontado pelos parlamentares teria inflado os recursos do município de cerca de R$ 8 milhões para aproximadamente R$ 19 milhões anuais.

Na nota divulgada na última quinta-feira (29), o gestor reconhece a possibilidade de falhas nos dados informados, mas evita enfrentar o conteúdo central da denúncia. “Sempre estivemos abertos ao diálogo com todos os profissionais da educação. Todas as reivindicações apresentadas até aqui foram ouvidas e encaminhadas com seriedade, sendo atendidas dentro das possibilidades legais do município”, afirmou.

Nova Redenção se torna centro de debate político após suspeita de irregularidades em dados da educação | FOTO: Reprodução |

Prefeito evita denúncia e parte para o ataque
Apesar da admissão indireta de problemas, o prefeito não apresentou documentos que comprovem a existência real do ensino em tempo integral nas escolas e creches citadas na denúncia. Em vez disso, preferiu direcionar críticas aos autores da representação. “É incomum ver vereadores se mobilizarem contra mais recursos para o município”, declara em outro trecho da nota.

No papel de um prefeito ‘Robin Hood’, Ademar Marttin tentou transformar o questionamento jurídico em ataque político, como se denunciar possíveis irregularidades fosse sinônimo de torcer contra Nova Redenção. Em nenhum momento, porém, o gestor explica como escolas sem estrutura física ou ampliação da jornada poderiam operar em tempo integral.

O prefeito também desviou o foco ao citar a gestão anterior da ex-prefeita Guilma Soares (PT), alegando que encontrou uma educação abandonada em infraestrutura e organização. A estratégia, no entanto, não responde às acusações feitas contra sua própria administração, nem rebate os dados apresentados pelos vereadores.

Vereador detalha denúncia e alerta para risco de punições
Um dos autores da denúncia, o vereador Jânio Alves de Andrade (Avante), divulgou vídeo explicando os fundamentos da ação e ressaltou que a medida visa proteger o município. “Os recursos que entram em 2026 são com base nos dados inseridos em 2025. Por isso a denúncia é necessária agora”, afirma.

Segundo o parlamentar, há registros incompatíveis com a realidade escolar. “Na Creche Nova Esperança foram matriculados 133 alunos no ano passado, e a secretaria informou que todos estudaram em tempo integral. Isso não aconteceu. As crianças ficavam apenas no período da manhã”, declara.

O vereador também lembrou que outros municípios já sofreram sanções por práticas semelhantes, a exemplo de São Bernardo e Santa Quitéria, que tiveram repasses cortados após a identificação de irregularidades no envio de dados educacionais. Segundo ele, o risco de Nova Redenção enfrentar punições semelhantes é concreto e pode trazer sérios prejuízos ao município.

Jânio também citou fiscalização do Núcleo Territorial de Educação (NTE) em 2025 após o aumento expressivo de matrículas da Educação de Jovens e Adultos (EJA). “O NTE encontrou problemas em escolas como Rômulo Galvão, Pedro Vila Celestino e Regina Sena, inclusive divergências sobre o início das aulas, que a gestão informou ter começado em fevereiro, mas que, na prática, só tiveram início em junho”, afirma.

“Denunciar uma ilegalidade não é ser contra Nova Redenção. É evitar que o município sofra sanções, bloqueios de recursos e prejuízos para professores, monitores, zeladores e toda a comunidade escolar”, conclui.

Silêncio sobre os dados
Enquanto a denúncia ganha repercussão e levanta questionamentos cada vez mais objetivos, a resposta do prefeito segue ancorada no discurso político, sem a apresentação de provas ou documentos que confrontem os fatos apontados. Assim, a questão central permanece sem esclarecimento: os dados enviados ao Fundeb retratam a realidade das escolas de Nova Redenção ou apenas uma versão conveniente construída pela gestão?

Jornal da Chapada

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