Moradora da zona rural de Valente, na região sisaleira da Bahia, Claryssa Oliveira realizou o sonho de entrar no curso de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba). A conquista veio após anos de esforço, estudo e superação.
Filha de escola pública, ela enfrentou grande parte do ensino médio durante a pandemia, sem acesso a cursinho. Estudava sozinha, em casa, com ajuda de videoaulas no YouTube. Mesmo diante das dificuldades, criou uma rotina disciplinada e manteve o foco no objetivo de ingressar na universidade.
Claryssa iniciou a trajetória acadêmica na Ufba por meio do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde (BI), onde passou três anos. Durante esse período, encarou semestres com até 11 disciplinas, o que exigiu uma rotina intensa de estudos, inclusive nos fins de semana e entre os intervalos de aula. Para conseguir migrar para Medicina, precisava manter um desempenho acadêmico excelente.
Com quase nenhuma vida social, só agora, após anos morando na capital, ela conta que está começando a conhecer Salvador. Ainda assim, diz estar pronta para os novos desafios da graduação: “Quero ser uma boa médica, mas sei que precisarei equilibrar as coisas e ter meus momentos de lazer. O que estará em jogo será meu futuro profissional”.
A escolha pela Medicina não foi imediata e veio acompanhada de muitas dúvidas e inseguranças. A grande inspiração veio da avó, agente comunitária de saúde, que atuava em projetos como a Pastoral da Criança. “Cresci vendo ela abrir mão do próprio tempo para cuidar de outras pessoas. Foi ali que aprendi, na prática, o que é cuidado. Um dia percebi: é isso que eu quero pra minha vida. Eu quero cuidar.”
Hoje, Claryssa comemora o início de uma nova etapa — e serve de exemplo para tantos outros jovens da zona rural e da rede pública que sonham com a universidade. Jornal da Chapada com informações do portal Vem ver Cidade.























































