O encerramento das atividades do Frigorífico Gomes Brasil, em Andaraí, expôs um cenário de abandono trabalhista e ampliou questionamentos sobre a responsabilidade social e política do prefeito do município, Wilson Paes Cardoso (PSB), fundador do empreendimento originalmente conhecido como Frigorífico Ganha Fama. Dezenas de trabalhadores foram dispensados sem o pagamento de direitos básicos, como salários, verbas rescisórias e 13º salário, enfrentando dificuldades financeiras severas no fim do ano.
A denúncia foi tornada pública pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Abate Animal e Afins no Estado da Bahia (Sindicarne-BA), que acompanha o caso e já adotou medidas legais junto aos órgãos competentes. Segundo a entidade, antes mesmo do fechamento, a empresa descumpria a Convenção Coletiva de Trabalho, especialmente no pagamento do piso salarial da categoria.
De acordo com o sindicato, “os trabalhadores foram surpreendidos com a demissão coletiva sem que a empresa quitasse qualquer verba rescisória, deixando pais e mães de família completamente desassistidos”. A situação se agravou porque, mesmo após notificações, não houve apresentação de um cronograma de pagamento ou justificativa formal.
Entre os meses de novembro e dezembro, os funcionários foram informados de que o frigorífico encerraria as atividades de forma definitiva. A empresa chegou a cumprir formalidades do aviso prévio e prometeu efetuar os pagamentos dentro do prazo legal, o que não ocorreu até o momento, aprofundando a insegurança financeira das famílias atingidas.
O impacto social foi ainda mais severo por ocorrer às vésperas do fim do ano. Muitos trabalhadores passaram o período natalino sem renda, sem 13º salário e sem condições de arcar com despesas básicas, como alimentação e contas domésticas, agravando a vulnerabilidade social no município.
Empreendimento, política e responsabilidade
No dia 20 de dezembro de 2025, vieram a público novos elementos que ampliam o debate sobre os impactos econômicos e institucionais envolvendo o Frigorífico Ganha Fama. O empreendimento, posteriormente integrado ao Grupo Friggom’s, teve as atividades encerradas após o colapso financeiro do conglomerado, hoje em recuperação judicial, deixando prejuízos expressivos a produtores rurais e comprometendo a cadeia produtiva da pecuária regional.
Apresentado inicialmente como projeto estruturante para o desenvolvimento da Chapada Diamantina, o frigorífico chegou a operar com certificação sanitária estadual e promessa de geração de milhares de empregos diretos e indiretos. No entanto, a paralisação repentina revelou fragilidades na governança do negócio e expôs a dependência econômica criada em torno de um único empreendimento industrial.
A crise do Grupo Friggom’s ganhou contornos mais graves após denúncias protocoladas na Justiça, que apontam possíveis omissões patrimoniais, questionamentos sobre receitas não declaradas e inclusão de dívidas contestadas no processo de recuperação judicial. As suspeitas levantam dúvidas sobre a transparência do grupo e ampliam a preocupação de credores e produtores afetados.
Mesmo diante de toda a gravidade da situação e dos impactos sociais e econômicos já evidentes, até o momento o prefeito Wilson Cardoso não se manifestou publicamente sobre o caso, tampouco apresentou esclarecimentos ou posicionamento oficial a respeito das responsabilidades envolvidas e das providências que poderiam ser adotadas para minimizar os prejuízos causados.
Jornal da Chapada

