O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou um discurso de forte tom eleitoral nesta segunda-feira (9), durante visita ao Instituto Butantan, na zona oeste da cidade de São Paulo. Em meio à agenda oficial, Lula brincou ao citar o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, afirmando que, se ele “conhecesse o que é a sanguinidade de Lampião num presidente, não ficaria provocando a gente”.
Em sua fala, Lula ironizou declarações de força militar feitas por líderes internacionais. “Não adianta ficar falando na televisão: ‘Eu tenho o maior navio de guerra, eu tenho o maior submarino do mundo’. Eu não quero briga com ele. Eu sou doido? Vai que eu brigo e eu ganho. O que eu vou fazer?”, afirmou.
A visita ao instituto marcou o anúncio de R$ 1,8 bilhão em investimentos, destinados à ampliação das instalações e ao início da vacinação contra a dengue para profissionais de saúde. Antes do evento, o presidente percorreu a fábrica de vacinas do Butantan.
Durante o discurso, Lula afirmou se considerar “um cidadão de muita sorte” e destacou que, enquanto houver condições, não faltarão recursos para a pesquisa científica no país. Ele celebrou o desenvolvimento da vacina contra a dengue e ressaltou o potencial de produção nacional para atender outros países.
“Onde é que está a razão para alguém desacreditar desse país? Celebrar a primeira vacina contra dengue do mundo, uma coisa nossa, criada por nós, pesquisada por nós”, declarou o presidente.
O chefe do Executivo também voltou a defender a soberania nacional, tema que vem sendo explorado pelo governo federal após o anúncio de tarifas sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos. Segundo Lula, o Brasil ainda convive, em alguns momentos, com um “complexo de vira-lata”.
Lula destacou ainda o multilateralismo como garantia de harmonia entre os países. “Eu não quero ter supremacia sobre o Uruguai, sobre a Bolívia, mas também não quero ser menor que Estados Unidos e China”, afirmou.
O evento contou com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Alexandre Padilha (Saúde), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência), Márcio França (Empreendedorismo) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário). Também participaram o diretor do Instituto Butantan, Esper Kallás, e o diretor-executivo da Fundação Butantan, Saulo Nacif. O secretário estadual de Saúde, Eleuses Paiva, esteve presente, mas o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) não compareceu.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que Lula é o único presidente da história a ter visitado o Instituto Butantan e classificou os investimentos como um marco histórico. Ele destacou o papel da instituição durante a pandemia de Covid-19 e relembrou ataques de desinformação sofridos no período. “Foram ataques com fake news, disseram que iam virar jacaré, que iam ter chip implantado. Mas vocês resistiram, acreditaram na ciência”, disse.
Padilha também afirmou que o SUS é um exemplo de soberania nacional e classificou Donald Trump como “antivacina e negacionista”. Segundo o ministro, pesquisadores afetados por cortes e perseguições nos Estados Unidos estão colaborando com instituições brasileiras, como o Butantan e a Fiocruz. Ao final do discurso, o ministro ainda mandou um abraço ao governador Tarcísio de Freitas, ausente do evento. Com informações do site Política Livre.















































