O Carnaval de Mulungu do Morro carrega uma história marcada por afeto, simplicidade e identidade cultural. Nos anos 1960 e 1970, a festa tomava conta das ruas com encontros sinceros, fantasias improvisadas e marchinhas que embalavam gerações. Era um tempo em que a celebração nascia do convívio entre vizinhos e fazia o coração da cidade pulsar em um ritmo coletivo, onde cada sorriso e cada passo de dança tinham significado.
Naquele período, o Carnaval era essencialmente democrático. Famílias inteiras participavam da festa, crianças, jovens e adultos dividiam o mesmo espaço com alegria e tranquilidade. As ruas se transformavam em grandes salões a céu aberto, marcados pela organização, pela segurança e pelo respeito, permitindo que todos brincassem sem distinção. As fantasias carnavalescas chamavam atenção pela criatividade, refletindo a imaginação popular e o espírito coletivo da época. A simplicidade era o diferencial, e a festa se consolidava como um dos principais momentos de integração social do município.
Mais do que diversão, o Carnaval de Mulungu do Morro sempre foi expressão de cultura popular. As marchinhas, consideradas símbolo da identidade local, atravessaram o tempo como patrimônio afetivo da cidade, mantendo vivas tradições que ajudaram a construir a memória coletiva do povo. Cada música, cada bloco e cada registro fotográfico guardam fragmentos de um passado que segue presente no imaginário da comunidade.
Atualmente, o Carnaval de Mulungu do Morro, que neste ano acontece nos dias 12 e 13, mantém viva essa essência ao preservar as marchinhas e o clima familiar que marcaram sua história. Ao mesmo tempo, a festa soube se reinventar, incorporando novas atrações musicais, com artistas de estilos como axé, pagode, arrocha e outros ritmos que ampliam o alcance do evento e atraem públicos diversos.
Essa combinação entre tradição e renovação tem colocado Mulungu do Morro em destaque como um dos destinos turísticos da Chapada Diamantina durante o período carnavalesco. O crescimento do fluxo de visitantes reforça a importância cultural da festa e mostra que, mesmo com o passar do tempo, o Carnaval da cidade continua sendo um espaço de celebração, identidade e encontro entre passado e presente.
Jornal da Chapada














































