A história e a memória de Piatã ganharam destaque em uma entrevista conduzida pela jornalista Emília Mazzei com o escritor piataense Valfredo dos Anjos. O bate-papo apresentou ao público os bastidores do livro O Rego dos Tolos, obra que resgata narrativas antigas ligadas à formação do município e às tradições da região da Chapada Diamantina.
Durante a conversa, realizada na Vila Gourmet, no centro da cidade, o autor explicou que o livro nasceu do desejo de registrar histórias ouvidas desde a infância. Segundo ele, a narrativa começou a ser construída a partir dos relatos familiares sobre um antigo projeto de canal que levaria água ao município quando ainda era conhecido como Anchieta.
Questionado por Emília sobre o que o motivou a escrever o livro, o escritor relembrou a influência das memórias transmitidas por gerações. “Cresci ouvindo essa história dentro da minha família, cada um contava de um jeito, mas sempre dentro do mesmo contexto”, afirma. Ele contou ainda que prometeu à avó que transformaria o relato em livro caso se tornasse escritor.
Valfredo explicou que o termo ‘rego’ se refere a uma vala destinada a transportar água e que a narrativa gira em torno de um personagem misterioso que teria idealizado a obra após conhecer o Rio do Patrício. A tentativa de levar água para a cidade, considerada impossível na época, acabou se tornando o núcleo da trama.
Memória e ficção se entrelaçam na narrativa
Ao longo da entrevista, a jornalista perguntou se a história pode ser considerada uma ficção baseada em fatos reais. O autor confirmou que grande parte do enredo foi construída a partir de relatos populares e evidências históricas, embora alguns elementos tenham sido recriados.
O livro também aborda aspectos sociais do período, como a exploração da mão de obra e os conflitos em torno da construção do canal. Na narrativa, o projeto teria sido interrompido de forma trágica, o que contribuiu para transformar o episódio em uma história cercada de mistério e versões divergentes.
Outro ponto abordado foi a ligação da família do autor com o local onde a obra passaria. Segundo ele, o rego atravessaria a fazenda de seu avô, representado no livro por um personagem que apoiava a iniciativa tanto pelo benefício coletivo quanto pelo impacto positivo para a propriedade.
Para Valfredo, publicar o livro é uma forma de preservar um capítulo pouco conhecido da história local. “Se dependesse de mim, ninguém mexia naquela obra, porque é uma parte histórica que merece ser preservada”, destaca.
O livro faz um mergulho na Piatã antiga, marcada por vilarejos e histórias transmitidas oralmente, e já está disponível para leitura na biblioteca municipal e no Instituto Nossa Piatã, ampliando o acesso da comunidade a esse resgate da memória regional.
Conhecendo o Rego dos Tolos
Movida pela curiosidade despertada durante a entrevista com o escritor Valfredo dos Anjos, a jornalista Emília Mazzei visitou o município de Piatã para conhecer de perto os vestígios do Rego dos Tolos. A iniciativa buscou compreender melhor a dimensão histórica da obra que, segundo os relatos, teria como objetivo levar água para a cidade quando ainda era chamada de Anchieta.
Nas imagens compartilhadas pela jornalista nas redes sociais, é possível observar trechos do solo escavado que indicam o antigo traçado do canal. Embora atualmente grande parte da área esteja coberta pela vegetação, ainda se percebem marcas da intervenção humana, reforçando a memória física de uma história que permanece viva no imaginário local. Jornal da Chapada com informações da jornalista Emília Mazzei.



















































