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#Chapada: Irmãs transformam experimento científico em vinícola e impulsionam enoturismo em Morro do Chapéu

Laura Oliveira e Mayra Nunes transformaram parte do sítio da família em vinícola | FOTO: Montagem do JC |

A história da vinícola Santa Maria, localizada em Morro do Chapéu, na região da Chapada Diamantina, começou de forma inesperada e se transformou em um empreendimento familiar consolidado. O interesse pelo universo do vinho surgiu quando as irmãs Laura Oliveira e Mayra Nunes disponibilizaram parte do sítio da família para um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária sobre a viabilidade do cultivo de uvas na região. Anos depois, a experiência científica evoluiu para um negócio que hoje produz cerca de sete mil garrafas anuais e atrai visitantes em busca de experiências ligadas ao enoturismo.

“Cedemos o espaço no sítio em 2009 para a Embrapa testar a viabilidade do plantio de uvas viníferas na região, pois os pesquisadores tinham visto uma semelhança no clima com a cidade de Bordéus, na França. As mudas vieram de lá. Esse estudo teve duração de 10 anos, mas na primeira colheita em 2012 já teve uma publicação. O plantio envolveu dez variedades de uva”, lembra Oliveira.

Vinhos produzidos pela vinícola Santa Maria | FOTO: Reprodução |

Com o encerramento do estudo, a estrutura e a produção ficaram com a família, que já acompanhava de perto o desenvolvimento do cultivo. O envolvimento ao longo dos anos despertou o interesse definitivo pelo setor. “Não fazia parte do nosso mundo, mas fomos acompanhando tudo ao longo desses dez anos e não teve jeito. Resolvemos apostar na nossa vinícola e reunimos toda a família, que segue nos apoiando. Todo mundo ajuda e está envolvido em alguma etapa do processos”, diz.

A gestão do negócio passou a ser dividida entre as irmãs, que conciliam diferentes funções dentro e fora da vinícola. “Nos apaixonamos pelas uvas. Sem dúvidas, elas escolheram a gente”, reitera Nunes. Para estruturar a produção, a família buscou consultorias especializadas e investiu cerca de R$ 50 mil na adaptação do espaço e no aprimoramento dos processos.

Vinhedo da vinícola Santa Maria | FOTO: Reprodução |

Atualmente, a vinícola cultiva oito variedades de uvas, entre brancas e tintas, e mantém sete rótulos fixos, além de produções sazonais. “Temos duas colheitas anuais e sete rótulos fixos, além de outros que conseguimos produzir esporadicamente”, afirma Oliveira. O portfólio inclui ainda licores, sucos, chopes e geleias, com destaque para uma receita familiar. “Temos o licor de gengibre, que é uma receita da nossa mãe e é muito procurado. Estamos com fila de espera no momento”, diz.

De olho em novas frentes, as empreendedoras passaram a investir no enoturismo, oferecendo visitas guiadas e eventos. “Começamos com as uvas, com o primeiro plantio. Depois disso, as coisas foram acontecendo e fomos entendendo as demandas e investindo no negócio. Percebemos o interesse pelas visitas quando começamos a divulgação e comercialização dos vinhos. Várias pessoas já iam lá para conhecer o plantio”, afirma. O espaço recebe entre 700 e 900 visitantes por mês e atrai público de diferentes estados e países. “Temos público do estado e também de outras regiões do Brasil. Recebemos pessoas apaixonadas por vinho e que gostam de conhecer mais da produção. Já tivemos visitantes de outros países como Argentina, Itália, Portugal, França e Colômbia”, pontua Oliveira.

Receptivo da vinícola | FOTO: Reprodução |

A expansão do enoturismo e da produção vitivinícola na Chapada Diamantina tem impacto direto na economia regional, estimulando o turismo, a geração de empregos e a abertura de novos mercados para produtos locais. A diversificação da atividade agrícola fortalece a identidade produtiva da região e amplia oportunidades de negócios ligados à gastronomia, hospitalidade e comercialização especializada.

Mesmo com o crescimento, a proposta da vinícola segue pautada pela identidade familiar e pela produção em menor escala. “Somos uma vinícola boutique, nossa proposta realmente não é virar uma mega vinícola. Pretendemos fazer uma expansão para conseguirmos produzir os vinhos necessários para o nosso negócio e sempre focar em melhorias no processo e na qualidade do que estamos oferecendo”, ressalta. Jornal da Chapada com informações da Revista Pegn.

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