O preço da gasolina voltou a subir na Bahia e já alcança até R$ 7,50 em postos de Salvador e do interior do estado. A alta ocorre mesmo em um cenário de queda do dólar e do petróleo no mercado internacional, o que chamou a atenção de autoridades e consumidores.
Antes da escalada das tensões internacionais, o litro da gasolina era vendido em média por cerca de R$ 5,50 no estado. Em aproximadamente uma semana, o valor ultrapassou os R$ 7, representando aumento de cerca de R$ 2, o equivalente a aproximadamente 36%.
O cenário é mais sensível na Bahia devido à política de preços adotada pela Refinaria de Mataripe, administrada pela Acelen, que possui estratégia própria e não segue a política da Petrobras. Desde a semana passada, a refinaria realizou quatro reajustes nos preços da gasolina e do diesel.
Cadeia de preços
De acordo com o secretário-executivo do Sindicombustíveis Bahia, Marcelo Travassos, o aumento não está diretamente relacionado aos postos de combustíveis, mas à estrutura da cadeia de comercialização e às dinâmicas do mercado internacional.
Ele explicou que os postos compram combustíveis das distribuidoras e acabam repassando os valores definidos por elas. Travassos também mencionou fatores geopolíticos que influenciam o mercado de petróleo, como o conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Segundo ele, outra questão relevante é a diferença na política de preços entre refinarias privadas e a Petrobras. Enquanto a estatal deixou de adotar a Paridade de Preço Internacional (PPI) há cerca de três anos, refinarias privadas ainda utilizam esse modelo para definir valores, o que pode gerar distorções e tornar o tema complexo para o consumidor entender.
Nota do Cade
Após o aumento expressivo nos preços, a Secretaria Nacional do Consumidor solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica que avalie possíveis irregularidades no mercado de combustíveis.
Em nota, o Cade informou que irá analisar os indícios apresentados pela Senacon sobre os recentes aumentos nos preços em estados como Bahia, Rio Grande do Norte, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além do Distrito Federal. O órgão afirmou que irá verificar se existem elementos suficientes para a abertura de uma investigação.
O pedido foi encaminhado pelo Ministério da Justiça após declarações públicas de representantes de sindicatos do setor, que apontaram aumento nos preços repassados por distribuidoras aos postos com a justificativa de alta do petróleo internacional devido ao conflito no Oriente Médio.
No documento enviado ao Cade, a Senacon destaca que, até o momento, a Petrobras não anunciou aumento nos preços praticados em suas refinarias. Diante disso, o órgão pediu que seja avaliada a existência de possíveis práticas que possam prejudicar a livre concorrência ou indicar tentativa de influência para adoção de condutas comerciais uniformes entre concorrentes.
Jornal da Chapada

















































