Natural de Morro do Chapéu, o artista plástico Joelito Modesto dos Reis, de 82 anos, transforma barro em revestimentos e azulejos artesanais inspirados na cultura e nas paisagens do Nordeste. Seu trabalho traz relevo inspirado na estética da xilogravura, tradicionalmente associada aos folhetos da literatura de cordel.
As peças são produzidas pela Cerâmica Reis, iniciativa criada em 2017 na cidade de Vitória da Conquista. O projeto aposta na produção manual para criar revestimentos que unem arte e arquitetura.
Diferente dos azulejos industriais, cada peça é feita artesanalmente e apresenta características próprias de textura, forma e tonalidade. O barro utilizado na fabricação é retirado de uma jazida localizada na fazenda da família, permitindo o controle da matéria-prima desde o início do processo.
A produção começa com um desenho elaborado por Joelito. A partir dessa ilustração é criada uma matriz de gesso que serve de molde para os azulejos. As formas são preenchidas manualmente com barro, passam por secagem e depois seguem para a queima em forno.
O calor intenso do forno garante resistência ao material e revela as tonalidades naturais da argila. Para preservar essas variações, a cerâmica não utiliza pigmentos artificiais, fazendo com que cada peça apresente cores e nuances próprias.
Outro aspecto do processo produtivo é o combustível utilizado na queima. O forno funciona com madeira de demolição, alternativa adotada para reduzir impactos ambientais e aproveitar materiais que seriam descartados.
As matrizes de gesso usadas na produção têm tempo limitado de uso. Devido ao desgaste provocado pelas altas temperaturas, elas precisam ser refeitas periodicamente, geralmente a cada poucos meses, para manter a qualidade dos relevos.
Os revestimentos produzidos podem funcionar tanto como peças decorativas quanto como soluções arquitetônicas. Os azulejos podem ser utilizados individualmente, como quadros, ou aplicados em conjunto para formar painéis e revestir paredes.
Nos relevos criados pelo artista aparecem elementos que remetem à identidade nordestina, como pássaros, flores, árvores e cenas do cotidiano do interior. Muitas dessas referências vêm das memórias de Joelito e das paisagens da Chapada Diamantina.
Atualmente, a produção da Cerâmica Reis é realizada por uma pequena equipe familiar responsável pelas etapas de fabricação e logística. O trabalho também ganhou visibilidade nas redes sociais, especialmente na página @ceramicareis, onde são apresentados os revestimentos e o processo artesanal das peças.
Ao transformar o barro em revestimentos artísticos, Joelito dos Reis cria azulejos que decoram ambientes e ao mesmo tempo preservam elementos da cultura nordestina e da tradição artesanal brasileira.
Jornal da Chapada

