Filho da agricultura familiar em Piatã, na Chapada Diamantina, o produtor Marilúcio da Silva, de 47 anos, transformou a experiência adquirida no interior baiano em referência de produção sustentável no Distrito Federal com o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-DF). Desde que chegou a Brasília, em 2003, ele levou consigo técnicas, conhecimentos e a tradição do cultivo diversificado, construindo uma trajetória marcada pela adaptação e inovação no campo.
Hoje, em uma propriedade de 12 hectares entre Santa Maria e São Sebastião, Marilúcio coordena uma produção anual de cerca de 150 toneladas de alimentos orgânicos certificados. O modelo adotado reflete diretamente os saberes adquiridos na Chapada Diamantina, onde o clima e as condições naturais favorecem a produção agrícola diversificada e de qualidade.
“O morango é o principal destaque, mas também há folhagens, tomate, batata e cebola. A gente produz de tudo um pouquinho”, descreve. “Mas o carro-chefe tem sido o morango. Estamos na época do plantio, a colheita começa em junho, às vezes no finzinho de maio, e vai até outubro”, acrescenta.
Raízes da Chapada impulsionam produção em Brasília
A base construída em Piatã foi essencial para o sucesso da produção no Distrito Federal. Acostumado ao manejo tradicional e ao respeito ao tempo da natureza, Marilúcio conseguiu adaptar práticas sustentáveis a uma nova realidade, mantendo a essência da agricultura familiar.
Esse crescimento também acompanha o avanço da assistência técnica. Entre 2019 e 2025, o número de produtores atendidos pela Emater-DF saltou de 18.667 para 23.174, um aumento de 24%, refletindo a expansão e o fortalecimento do setor rural.
Parceria que fortalece o campo
No dia a dia, o produtor conta com o suporte direto da equipe da Emater-DF, especialmente da engenheira agrônoma Lídia Jardim. A relação entre técnico e agricultor vai além do atendimento formal e se baseia na confiança construída ao longo do tempo. “O diferencial da Emater é essa presença, esse dia a dia com o produtor. A gente sabe a realidade dele, como funciona, e esse contato humano a tecnologia não substitui”, afirma.
A atuação da empresa inclui assistência técnica gratuita, elaboração de projetos de crédito rural, capacitações e acompanhamento constante das propriedades, além de ser fundamental nos processos de certificação.
“A Emater ajuda muito na questão de projetos e na certificação. Precisamos de várias declarações que só eles, que acompanham a produção de perto, têm conhecimento para validar. E eles estão sempre à disposição”, destaca Marilúcio da Silva.
O apoio técnico é decisivo para a manutenção da produção orgânica, que exige controle rigoroso e validação constante das práticas adotadas no campo.
A modernização também chega por meio da tecnologia, com ferramentas como WhatsApp e chatbot, sem deixar de lado o contato direto com o produtor. “Muitos produtores têm dificuldade na tecnologia. Às vezes, a gente ajuda a solicitar serviços que hoje são só digitais, como o Gov.br ou o e-mail cadastrado. A gente pega o telefone do próprio produtor e ajuda a solicitar o serviço”, relata Lídia.
Os resultados desse trabalho aparecem nos números: mais de 55 mil propriedades assistidas e mais de 100 mil visitas técnicas realizadas entre 2019 e 2025, com forte presença da agricultura familiar.
Para Marilúcio, o impacto vai além da produção. “É muito prazeroso a gente não ter contato com agrotóxico, ter um alimento saudável. A natureza se equilibra sozinha quando a gente não usa as coisas convencionais”, afirma.
O presidente da Emater-DF, Cleison Duval, destaca que os avanços refletem uma política de valorização do campo. “Destaco, principalmente, a ampliação do acesso às políticas públicas voltadas à agricultura familiar, o fortalecimento das ações de assistência técnica e extensão rural e a crescente valorização da produção local pelo GDF, que tem olhado atentamente à população rural”, afirma.
Ele também aponta investimentos em infraestrutura e sustentabilidade. “Este governo, na questão hídrica, por meio da Emater, da Seagri e de parceiros, tem auxiliado os produtores com a revitalização dos canais de irrigação — já foram mais de 100km de 2019 até aqui, além do apoio à adoção de tecnologias sustentáveis como o uso de energias renováveis”, diz.
Ao olhar para o futuro, o dirigente reforça o compromisso com o desenvolvimento do setor. “Nosso objetivo é combinar tradição e inovação para garantir que o produtor rural tenha acesso a conhecimento, tecnologia e oportunidades, fortalecendo a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável do Distrito Federal”.
A trajetória de Marilúcio resume esse movimento no campo. Entre a persistência de quem saiu do interior da Chapada Diamantina e a construção de parcerias estratégicas ao longo do caminho, o produtor se tornou exemplo de como tradição e apoio técnico podem caminhar juntos. Mais do que produzir alimentos, ele mostra que é possível crescer com sustentabilidade, planejamento e cooperação, inspirando outros agricultores a seguir pelo mesmo caminho. Jornal da Chapada com informações do portal Agência Brasília.

